Deixando de lado o fato de que Aeliana salvou sua vida, a própria personalidade de Aline não a deixaria empurrar uma amiga para o fogo por causa da família.
Ela realmente achava que seu Jocelino seria incapaz de trair.
Além disso, Aeliana e Jocelino claramente se importavam um com o outro, por que se separarem por causa de um mal-entendido?
Aline achava isso um desperdício.
Olhando furtivamente para Aeliana, Aline acrescentou:
— Eu acho... será que não existe a possibilidade de o Jocelino ter algum motivo oculto?
— Ou... talvez ele queira te fazer uma surpresa?
A mão de Aeliana parou:
— Surpresa?
Aline rapidamente se fez de boba:
— Ah? Eu só falei sem pensar!
— Não é assim que acontece nas novelas? O mocinho prepara uma surpresa para a mocinha, ela entende errado, mas na verdade ele nunca traiu.
— Eu aprendi essas coisas lendo romances e vendo séries.
Aeliana olhou para ela e não perguntou mais nada, mas o aperto em seu peito se dissipou inexplicavelmente.
Ela sabia que aquelas palavras de Aline eram verdadeiras, e não apenas para convencê-la a fazer as pazes com Jocelino.
Namorando Jocelino há tanto tempo, Aeliana conhecia a personalidade dele.
Ele achava lidar com o sexo oposto um incômodo, então como ele trairia?
Na verdade, desde ontem, Aeliana havia refletido seriamente.
No fundo, ela sabia que a chance de Jocelino trair era mínima.
Mas talvez, por ter sofrido tantas traições na primeira metade de sua vida, embora sua razão dissesse que Jocelino não faria isso, ela agiu por instinto.
Ela deveria ter se acalmado e ouvido a explicação de Jocelino naquele momento.
Mas foi uma reação automática: quando viu aquilo com os próprios olhos., Aeliana descobriu que sua habitual calma orgulhosa desmoronou naquele instante.
Ela não conseguiu pensar racionalmente e decidiu parar de falar com ele por um tempo.
Vendo a expressão dela suavizar, Aline aproveitou para insistir:
Por que mudaram de repente para pedir comida?
Do outro lado, Aeliana acabou de fazer o pedido para Jocelino.
Quando a comida chegou, Jocelino estava em uma reunião.
Odilon recebeu uma ligação da recepção e planejava descer para ver o que estava acontecendo.
Mas assim que chegou ao térreo, a situação diante dele fez com que o experiente Odilon parasse seus passos, algo raro.
No saguão da empresa, na recepção, dezoito embalagens de comida requintada estavam alinhadas, ocupando quase todo o balcão.
Embalagens com logotipo dourado, bolsas térmicas elegantes.
O aroma se espalhava sutilmente, fazendo com que os funcionários que passavam olhassem de lado.
A recepcionista chamou Odilon apressadamente, olhando para a fila de entregas.
Ela olhou para Odilon como se visse um salvador:
— Odilon, que bom que você chegou!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias