Jocelino massageou as têmporas:
— Originalmente, estava tudo indo bem, mas ultimamente...
Jocelino contou a Aline a série de eventos que ocorreram desde que Aeliana voltou do trabalho naquele dia.
— Eu não sei onde foi que eu a ofendi. Perguntei, mas ela não diz.
— Tentei me desculpar, mas ela me trata como se eu fosse invisível.
No fim das contas, Jocelino estava sem opções.
Até um santo perderia a paciência.
Sendo tratado assim sem motivo, Jocelino certamente guardava um pouco de frustração no fundo do coração.
Ao ouvir toda a história, Aline tocou o queixo, pensativa.
— Você acha... que a Aeliana pode ter entendido algo errado sobre você?
Afinal, o pensamento masculino é diferente do feminino.
Para alguém com a personalidade de Aeliana entrar numa guerra fria com Jocelino, com certeza houve algum mal-entendido.
Jocelino parou; ele não tinha pensado nessa possibilidade antes.
Aline insistiu:
— Jocelino, acho melhor você sentar com a Aeliana e ter uma conversa franca sobre o que ela pode ter entendido errado.
— Você tem que se esforçar. Se você quer casar com ela, vai ter que engolir o orgulho.
— Afinal, há muitas pessoas ao redor da Aeliana esperando uma brecha.
Se Jocelino continuasse nesse impasse com Aeliana.
Talvez alguém mal-intencionado aproveitasse a brecha.
Jocelino olhou para ela friamente:
— Você está me consolando ou me desanimando?
Aline respondeu com convicção:
— Consolando, claro!
Ela deu um tapinha no ombro de Jocelino.
— Jocelino, eu ainda tenho muita confiança em você.
— Acredite no seu charme! Resolva logo esse mal-entendido e siga com o plano original do pedido de casamento. Garanto que será um sucesso!
Diante do incentivo de Aline.
No entanto, Jocelino permaneceu em um silêncio raro por um longo tempo:
— Você acha... que a Aeliana aceitaria meu pedido?
Aline congelou por um instante, depois arregalou os olhos:
Dentro da cafeteria.
Heloisa viu os dois voltando e perguntou sorrindo:
— Terminaram a conversa?
Aline voltou para o assento saltitando:
— Terminamos! Tia, vamos marcar na próxima!
Jocelino ficou ao lado, com a expressão já recuperada:
— Mãe, o carro está esperando lá fora.
Heloisa assentiu, levantou-se e despediu-se da irmã.
Depois de deixar Heloisa em casa, a cabeça de Jocelino não parava de repassar as palavras da prima.
Lembrando-se do hábito de Aeliana de esquecer de comer quando estava ocupada com o trabalho, Jocelino suspirou.
No fundo, a preocupação com Aeliana superava a raiva.
Ele pegou o celular e encomendou 18 marmitas de comida para entregar a ela.
De certa forma, era um gesto de paz para Aeliana.
A prima estava certa: para conseguir uma esposa, às vezes não se pode dar tanta importância ao orgulho.

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