Passos soaram na escada. Ele levantou a cabeça e viu Amália descendo com uma pequena mala, seguida por Daniela, que tinha os olhos vermelhos.
Camila foi imediatamente ao encontro delas, pegando a mala com intimidade:
— Amália, já pegou tudo?
Amália assentiu:
— Sim, acho que é tudo.
Marcelo deu um passo à frente e estendeu a mão para pegar a mala, mas foi bloqueado bruscamente por Daniela.
Ela encarou Marcelo com um olhar afiado:
— Marcelo, estou entregando minha filha a você. Se acontecer algo como da última vez...
— Eu não vou te perdoar!
Amália ficou parada ao lado em silêncio, parecendo um pouco assustada e perdida; não esperava que a mãe dissesse aquilo na hora da partida.
Marcelo manteve a expressão calma e a voz grave:
— A Sra. Daniela pode ficar tranquila.
Daniela soltou um bufo frio, mas acabou não dizendo mais nada.
Gustavo aproximou-se e deu tapinhas no ombro da filha:
— Qualquer coisa, ligue para nós a qualquer hora.
O nariz de Amália ardeu e ela assentiu vigorosamente:
— Pai, mãe, se cuidem.
Aos olhos de Marcelo, aquela cena de amor materno e filial era extraordinariamente irônica.
Não querendo mais ficar ali assistindo àquelas expressões hipócritas, Marcelo avançou sem expressão e pegou a mala de Amália.
— Vamos.
Amália soltou um "hum" baixo e o seguiu.
O carro preto saiu suavemente da residência da família Oliveira.
No instante em que a porta do carro se fechou, a atmosfera morna que mal se sustentava lá dentro esfriou subitamente.
Marcelo afrouxou o colarinho com irritação. Aquela camada de suavidade que ele havia montado propositalmente desapareceu rapidamente, sendo substituída por um distanciamento quase indiferente.
A mudança de atitude de Marcelo foi óbvia demais.
Marcelo lançou-lhe um olhar de indiferença:
— E qual a alternativa? Deixar você abortar e fazer a família Oliveira vir atrás de mim querendo briga?
Ele riu com escárnio.
— Eu não sou tão estúpido.
No entanto, Amália filtrou automaticamente a frieza nas palavras dele, captando apenas a parte de "assumir".
Seus olhos aqueceram e a voz saiu embargada:
— Marcelo, obrigada... Eu vou cuidar muito bem dessa criança, eu...
— Não precisa. — Marcelo a interrompeu, o tom ainda gélido. — Quando a criança nascer, a família Costa se responsabilizará. Quanto a você...
Ele fez uma pausa, o olhar varrendo as bochechas levemente coradas dela.
— Fique quieta no seu canto e não me cause problemas.
Amália sustentou o olhar dele, sem se esquivar, e assentiu obedientemente.
— Eu entendi. Serei uma boa mãe e não vou te decepcionar.

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