Com a pressão dupla de Gustavo e dos pais de Gervásio, não havia espaço para Amália recusar.
Depois de um tempo, ela assentiu levemente:
— ... Está bem. Vou arrumar minhas coisas e volto com vocês.
Amália subiu para fazer as malas e Daniela a seguiu.
A porta do quarto se fechou suavemente, isolando o som da conversa no andar de baixo.
Daniela entrou no quarto com a filha e, observando-a abrir o guarda-roupa e começar a arrumar as roupas lentamente, não conseguiu se conter:
— Amália, você tem certeza disso?
Os dedos de Amália pararam por um instante e ela sussurrou:
— Mãe, eu não posso morar aqui para sempre...
Amália não era tola.
Ela percebia que Gustavo já estava insatisfeito com o fato de ela estar prolongando sua estadia em casa.
Ao pensar nas intenções do marido, Daniela suspirou, adiantou-se para pegar as roupas das mãos dela e começou a dobrá-las com agilidade para colocar na mala.
— A mãe não está te impedindo, é só que...
Ela pausou e baixou a voz:
— Você realmente acredita que aquele moleque do Marcelo mudou?
Amália apertou os lábios e não disse nada.
Vendo a filha daquele jeito, Daniela sentiu o coração apertar e a abraçou:
— Minha menina boba, você não consegue ver se o pedido de desculpas dele hoje foi verdadeiro ou falso?
Amália acariciava inconscientemente a barra da roupa e disse baixinho:
— ... Mãe, talvez o Marcelo tenha realmente percebido o erro desta vez.
— Pelo menos, foi a primeira vez que ele baixou a cabeça para mim depois do casamento.
Marcelo nunca teve uma personalidade muito firme; bastava ceder uma vez.
Amália acreditava que era apenas uma questão de tempo até Marcelo voltar a ser como era antes.
Daniela sentiu uma frustração enorme, como se esperasse mais da filha, e agarrou a mão dela.
— De que adianta baixar a cabeça? Se ele estivesse realmente arrependido, não teria te tratado daquele jeito antes!
Além disso, agora a filha estava grávida e não podia haver descuidos nesses assuntos.
Antigamente, ele nunca havia notado que a sala da família Oliveira tinha tantas fotos dos filhos.
A maioria era de Amália.
Nas fotos, Amália tinha um sorriso radiante, como se tivesse sido cercada de felicidade desde a infância, sem nunca ter passado por tempestades.
Os outros três, Rodrigo e Henrique, tinham cada um seu destaque.
Só não se via Aeliana.
Em nenhuma dessas fotos havia sequer a sombra de Aeliana.
Era como se ela nunca tivesse existido naquela casa.
Alguém de fora que visse essa disposição realmente acharia que a família Oliveira só tinha Amália como filha biológica.
Mal sabiam que Amália era a impostora.
Um traço de escárnio passou pelos olhos de Marcelo.
Não era de se admirar que Aeliana não tivesse nenhum apego à família Oliveira.
Com esse nível extremo de favoritismo de Gustavo e Daniela, quem ousaria ter sentimentos por essa casa hipócrita?

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