De repente, um sedã preto familiar invadiu sua visão.
Era o carro de Jocelino.
Aeliana o reconheceu quase instantaneamente.
Jocelino usava aquele carro sempre que vinha buscá-la para o trabalho ou para saírem juntos.
Nesse horário, Jocelino deveria estar na empresa. Por que estaria ali?
A velocidade do carro de Aeliana diminuiu involuntariamente.
Então, Aeliana viu.
O carro de Jocelino parou lentamente na entrada do hotel, a porta se abriu e ele desceu.
Ele usava um terno cinza-escuro, um presente que ela trouxera de Nova Aurora para ele.
Jocelino mantinha uma postura ereta, seu perfil bem definido sob a luz do sol.
Os dedos de Aeliana apertaram o volante inconscientemente.
Ela olhava para Jocelino, um tanto atônita.
Pois lembrava claramente que, no histórico de conversas no WhatsApp, ele havia informado que iria para uma reunião na empresa.
O olhar de Aeliana seguiu involuntariamente a figura de Jocelino, até que uma mulher alta saiu pela porta giratória do hotel, sorrindo radiante ao encontrá-lo.
A mulher vestia um sobretudo bege de corte impecável, tinha cabelos levemente cacheados e lábios vermelhos vibrantes.
Ela tocou o braço de Jocelino com familiaridade; os dois conversaram brevemente de cabeça baixa e, em seguida, entraram lado a lado no hotel.
Embora durante todo o processo não houvesse abraços, mãos dadas, ou qualquer contato físico excessivo.
A familiaridade natural entre os dois e aquela harmonia ao caminharem lado a lado eram mais dolorosas do que qualquer gesto íntimo.
Além disso, um homem e uma mulher sozinhos, indo juntos a um lugar tão "reservado", não poderiam estar indo apenas falar de trabalho, certo?
Ao pensar nessa possibilidade.
O peito de Aeliana pareceu ser apertado por uma mão invisível, e sua respiração falhou por um instante.
A cena aconteceu tão de repente que ela, sempre calma e composta, não soube como reagir.
Talvez se agarrando a uma última esperança.
Aeliana estacionou o carro no acostamento.
Ela desligou o motor, baixou o vidro pela metade e fixou o olhar atordoado na entrada do hotel.
Quando Jocelino voltou, já era tarde.
Ao abrir a porta, a casa estava na penumbra.
Apenas uma luminária de chão estava acesa na sala, sua luz amarelada delineando mal os móveis.
O ar estava impregnado de um silêncio estagnado, tornando até o som da respiração excepcionalmente nítido.
Seu olhar pousou no sofá.
Aeliana estava sentada ali, silenciosa, com as mãos cruzadas sobre os joelhos e as costas eretas, como se mantivesse aquela postura há muito tempo.
Seus olhos estavam fixos imóvelmente em um canto da mesa de centro, como se estivesse perdida em pensamentos.
O copo de água na mesa estava cheio, com gotículas condensadas na superfície, claramente intocado.
Era óbvio.
Aeliana estivera esperando por ele em casa o tempo todo.
Só não se sabia por quanto tempo.
Os passos de Jocelino pararam levemente, e seu coração, por algum motivo, pareceu ser apertado, trazendo uma sensação de pânico.

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