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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 597

De repente, um sedã preto familiar invadiu sua visão.

Era o carro de Jocelino.

Aeliana o reconheceu quase instantaneamente.

Jocelino usava aquele carro sempre que vinha buscá-la para o trabalho ou para saírem juntos.

Nesse horário, Jocelino deveria estar na empresa. Por que estaria ali?

A velocidade do carro de Aeliana diminuiu involuntariamente.

Então, Aeliana viu.

O carro de Jocelino parou lentamente na entrada do hotel, a porta se abriu e ele desceu.

Ele usava um terno cinza-escuro, um presente que ela trouxera de Nova Aurora para ele.

Jocelino mantinha uma postura ereta, seu perfil bem definido sob a luz do sol.

Os dedos de Aeliana apertaram o volante inconscientemente.

Ela olhava para Jocelino, um tanto atônita.

Pois lembrava claramente que, no histórico de conversas no WhatsApp, ele havia informado que iria para uma reunião na empresa.

O olhar de Aeliana seguiu involuntariamente a figura de Jocelino, até que uma mulher alta saiu pela porta giratória do hotel, sorrindo radiante ao encontrá-lo.

A mulher vestia um sobretudo bege de corte impecável, tinha cabelos levemente cacheados e lábios vermelhos vibrantes.

Ela tocou o braço de Jocelino com familiaridade; os dois conversaram brevemente de cabeça baixa e, em seguida, entraram lado a lado no hotel.

Embora durante todo o processo não houvesse abraços, mãos dadas, ou qualquer contato físico excessivo.

A familiaridade natural entre os dois e aquela harmonia ao caminharem lado a lado eram mais dolorosas do que qualquer gesto íntimo.

Além disso, um homem e uma mulher sozinhos, indo juntos a um lugar tão "reservado", não poderiam estar indo apenas falar de trabalho, certo?

Ao pensar nessa possibilidade.

O peito de Aeliana pareceu ser apertado por uma mão invisível, e sua respiração falhou por um instante.

A cena aconteceu tão de repente que ela, sempre calma e composta, não soube como reagir.

Talvez se agarrando a uma última esperança.

Aeliana estacionou o carro no acostamento.

Ela desligou o motor, baixou o vidro pela metade e fixou o olhar atordoado na entrada do hotel.

Quando Jocelino voltou, já era tarde.

Ao abrir a porta, a casa estava na penumbra.

Apenas uma luminária de chão estava acesa na sala, sua luz amarelada delineando mal os móveis.

O ar estava impregnado de um silêncio estagnado, tornando até o som da respiração excepcionalmente nítido.

Seu olhar pousou no sofá.

Aeliana estava sentada ali, silenciosa, com as mãos cruzadas sobre os joelhos e as costas eretas, como se mantivesse aquela postura há muito tempo.

Seus olhos estavam fixos imóvelmente em um canto da mesa de centro, como se estivesse perdida em pensamentos.

O copo de água na mesa estava cheio, com gotículas condensadas na superfície, claramente intocado.

Era óbvio.

Aeliana estivera esperando por ele em casa o tempo todo.

Só não se sabia por quanto tempo.

Os passos de Jocelino pararam levemente, e seu coração, por algum motivo, pareceu ser apertado, trazendo uma sensação de pânico.

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