Mas, para sua surpresa, desta vez Felipe não dirigiu palavras rudes a Aeliana.
Felipe permaneceu em silêncio à porta, ignorando Aeliana completamente, como uma carcaça que teve toda a sua vitalidade drenada.
Felipe não queria falar com ela, e Aeliana tampouco queria falar com ele.
Se encontraram como se fossem completos estranhos.
No entanto, o estado atual de Felipe era, no mínimo, estranho.
O olhar de Aeliana varreu Felipe discretamente.
Parado diante do arquivo, seu perfil parecia extraordinariamente pálido sob a luz fria, com olheiras escuras e olhos encovados, como se não dormisse bem há muito tempo.
Ele exalava uma paranoia doentia, como uma corda esticada ao limite que poderia arrebentar a qualquer instante.
Fazia apenas um mês que não se viam.
Felipe havia emagrecido muito, a ponto de sua figura parecer deformada.
O que mais surpreendeu Aeliana... foi o olhar dele.
Sombrio, ansioso, como uma fera encurralada, pronta para atacar violentamente.
Na última vez que o viu no hospital, embora Felipe fosse mesquinho e arrogante, pelo menos estava cheio de energia, com um olhar de superioridade.
Agora, aquela arrogância fora substituída por algo mais agudo, que parecia medo, mas também loucura.
Felipe percebeu o olhar dela e levantou a cabeça bruscamente, com uma expressão sinistra.
— O que está olhando?
Ele não estava com humor para causar problemas a Aeliana, mas agora ela estava o analisando?
Aeliana desviou o olhar e continuou folheando os documentos, com um tom indiferente.
— Eu lembro que é necessária permissão para entrar aqui. Quando você conseguiu essa autorização?
Felipe soltou uma risada fria, com a voz rouca e cheia de desdém.
— Você acha que só se entra na sala de arquivos por meio de conexões?
Ele balançou o cartão de acesso na mão, com um olhar irônico.
— O diretor do hospital me deu isso.
— Consegui de forma legítima.
Basicamente, ele insinuava que Aeliana só conseguia entrar ali por meio de favores.
Pau que nasce torto nunca se endireita.
Aeliana não respondeu, apenas baixou a cabeça e continuou a verificar as informações.
Vendo que não teria reação, Felipe achou desinteressante continuar e caminhou até o outro lado do arquivo, procurando algo.
Que tipo de irmão era aquele?
Considerando tudo o que Felipe já havia feito contra ela.
Se todos os irmãos do mundo agissem como Felipe.
Não se sabe quantas famílias acabariam em fratricídio.
Felipe não respondeu, apenas lançou um olhar frio para ela e saiu a passos largos.
A porta da sala de arquivos foi fechada com força, emitindo um estrondo.
Aeliana permaneceu parada, com a testa levemente franzida.
Não entendeu bem. Felipe estava tentando criar discórdia entre ela e Victor?
Por que ele achava que ela acreditaria nas palavras dele e não em Victor?
Aeliana olhou para o arquivo em suas mãos, sentindo-se um pouco sem palavras.
Certamente o velho problema de Felipe havia voltado.
Ele simplesmente não suportava ver os outros bem.
No caminho para casa, Aeliana dirigia, seu olhar varrendo a janela inconscientemente.

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