Embora Santiago não entendesse de medicina, a forma como aquele suspeito convulsionava era claramente diferente de outros pacientes epilépticos.
Os sintomas eram graves demais.
A situação básica já estava compreendida.
Aeliana não fez mais perguntas.
Ela caminhou diretamente até a beira da cama e estendeu a mão para verificar a artéria carótida do paciente.
Sob a ponta de seus dedos, o pulso estava desordenado e rápido.
Aeliana abriu as pálpebras do homem.
As pupilas estavam levemente dilatadas, prova de consciência dissipada.
Mesmo após a injeção de sedativo, os membros do paciente ainda sofriam espasmos incontroláveis.
— Isso realmente não é uma epilepsia comum — Aeliana diagnosticou rapidamente. — Deve ser uma epilepsia tóxica induzida por drogas.
Ela levantou a cabeça e olhou para Santiago.
— Há quanto tempo esse paciente está sob custódia de vocês?
— Ele teve contato com algum medicamento especial recentemente?
Em tese, se o prisioneiro estivesse detido há tempo suficiente, e considerando a alimentação fornecida pela delegacia, isso não deveria acontecer, a menos que houvesse um problema interno.
Mas o impensável aconteceu.
A situação estava ali, diante deles.
O olhar de Santiago endureceu; ele entendeu a insinuação de Aeliana.
Ele se virou imediatamente para a policial atrás dele:
— Julia, verifique quem forneceu a alimentação e os itens com os quais ele teve contato nos últimos dois dias.
Já que isso era um assunto interno deles, não cabia a Aeliana, uma médica consultora, interferir.
Ela já tinha feito sua parte; o resto dependia de Santiago e sua equipe.
Tirando o estojo de agulhas de prata da bolsa, Aeliana desinfetou tudo com movimentos ágeis e instruiu Santiago:
— Ajude-me a segurar a cabeça dele.
Santiago não hesitou e fixou firmemente a cabeça do paciente com as duas mãos.
Embora fosse a primeira vez que Santiago auxiliava Aeliana na acupuntura, a colaboração entre os dois foi surpreendentemente fluida.
As mãos de Aeliana eram precisas e firmes.
— Obrigado.
Aeliana limpou as mãos e sorriu levemente:
— Foi um pedido do professor Gomes, é meu dever.
— Vocês têm mais alguma dúvida? Se não, eu vou indo.
Santiago hesitou por um momento, depois tirou um papel dobrado do bolso.
— Este é a prescrição que o médico deu a ele agora há pouco. Pode dar uma olhada para mim?
Embora Santiago não tivesse dito explicitamente, Aeliana entendeu a intenção imediatamente.
Santiago suspeitava que houvesse um cúmplice naquele hospital.
Já que estava ali, e Santiago era seu amigo, verificar uma receita não era grande coisa.
Aeliana pegou o papel, passou os olhos rapidamente e franziu a testa.
— Olhando apenas para a medicação, não parece haver problema.
— Mas a mistura de alguns desses remédios pode, até certo ponto, produzir neurotoxicidade.

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