Na verdade, não era necessária uma resposta de Henrique.
Amália já sabia o que precisava saber.
Afinal, se Henrique tomou a iniciativa de lhe enviar dinheiro, provavelmente já não estava mais zangado.
O resto ficaria para quando ele estivesse livre para mandar mensagem.
...
Quando Amália ligou para Henrique, ele estava flertando com uma mulher rica.
Henrique estava semi-deitado no sofá de couro genuíno, seus dedos longos giravam suavemente a taça de cristal com vinho tinto, um sorriso preguiçoso curvando seus lábios.
A mulher sentada à sua frente era a nova patrocinadora que a Sra. Rabelo havia lhe apresentado recentemente.
Uma mulher de quarenta e poucos anos, mas bem conservada, passava os dedos com unhas pintadas de vermelho vivo de forma sugestiva pelas costas da mão dele.
— Henrique, eu pensei naquele projeto que você mencionou da última vez...
A voz da mulher era baixa e suave, com um sorriso cheio de segundas intenções no olhar.
— Talvez possamos conversar mais "profundamente" sobre isso?
Henrique riu levemente, seus dedos segurando o pulso dela de forma discreta, a voz grave.
— Como você quiser conversar, eu acompanho.
O coração da mulher estremeceu com o tom dele, e ela estava prestes a se aproximar mais.
A distância entre os dois já beirava o indecente.
De repente!
Bzz! Bzz!
O celular de Henrique, deixado na mesa de centro, vibrou abruptamente. O nome "Amália" pulsava na tela.
A mulher lançou um olhar indiferente para o celular e fez um bico insatisfeito, olhando para Henrique.
— Quem é?
Logo agora que os dois estavam prestes a se beijar.
Quem seria tão sem noção para ligar e atrapalhar o clima?
Um traço de impaciência passou pelos olhos de Henrique, mas seu rosto permaneceu sereno.
Ele colocou o celular no silencioso e virou o celular para baixo na mesa.
Sorriu e explicou para a mulher:
— Ninguém, é só minha irmã.
— Deve ser para perguntar algo sobre a família.
— Não é nada, ligo de volta depois.
De fato, após a transferência ser enviada, o celular não deu mais sinal de vida.
Henrique soltou um riso de escárnio, jogou o celular de lado e voltou a olhar para a mulher, a frieza em seus olhos sendo instantaneamente substituída por ternura.
— Desculpe, tomei o seu tempo.
Henrique não escondeu a ação da transferência da mulher.
E a mulher não perdeu a expressão de impaciência que cruzou o rosto dele.
Ela conjecturou mentalmente que quem ligava para Henrique devia ser mesmo a irmã.
Caso contrário, com aquela atitude de Henrique, se a mulher do outro lado fosse sua patrocinadora, ela teria feito um escândalo.
Pensando nisso, os lábios vermelhos da mulher se curvaram levemente.
— O Sr. Oliveira é muito generoso com a irmã.
Henrique sorriu com indiferença.
— Apenas um dinheirinho para gastos, nada demais.
Ele estendeu a mão, envolveu a cintura da mulher e a puxou para perto, com a voz grave.
— Comparado a isso, estou mais interessado em saber... como você planeja me "ajudar"?
A mulher, encarada por aquele olhar direto, sentiu o coração acelerar, e um brilho de obsessão passou por seus olhos.

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