Aline ficou indignada e olhou para Beatriz:
— E você? Seus pais devem estar tratando ela como rainha agora, né? Quando é que você vai poder voltar pra casa?
Beatriz parou de mexer o café. A expressão escureceu.
— Voltar pra casa? Nem pensar. Voltar pra ver a "família feliz" de três pessoas? Me dá náusea.
Ela sorriu com ironia.
— Eu prefiro continuar morando com a Aeliana. Pelo menos é tranquilo.
Aline segurou a mão dela, com carinho.
— Mas…
Viver de favor nunca é confortável.
Beatriz deu de ombros, fingindo leveza:
— Não é nada demais. Eu já me acostumei. A família Costa que se vire. Eu prefiro nem ver, pra não me estressar.
Aline resmungou:
— Do jeito que vai, a Amália vai mandar em todo mundo. E se ela usar a criança pra fazer seus pais te renegarem de vez…
Aline estava indo longe demais.
— Aline. — Aeliana a cortou, calma, mas firme. — A Beatriz volta quando ela quiser voltar.
Aeliana olhou para Beatriz:
O clima pareceu congelar. Aline se calou na hora.
Aeliana tocou de leve a borda da xícara. A expressão não mudou, mas algo muito sutil passou em seus olhos.
Ela confiava em poucas pessoas. Camila tinha sido uma delas.
Mas a atitude de Camila depois do incidente com Beatriz tinha ferido fundo.
Aeliana ficou em silêncio por tempo demais, até soltar apenas:
— Hm.
Sem raiva. Sem sarcasmo.
Mas também sem perdão.

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