O sangue na cintura de Aeliana ainda minava, encharcando o rasgo do vestido.
O maxilar de Jocelino enrijeceu; de repente, ele tirou o sobretudo e a envolveu com cuidado, com movimentos tão leves como se temesse quebrá-la.
— Dói? — Perguntou ele em voz baixa, os dedos roçando de leve a marca de sangue no rosto dela.
Aeliana negou com a cabeça, querendo dizer que estava bem, mas ao abrir a boca, uma tosse abafada escapou, trazendo um fio de sangue aos seus lábios.
O olhar de Jocelino tornou-se sombrio ao extremo.
— Aguente firme.
Ele sussurrou, passando o braço sob os joelhos dela e erguendo-a no colo.
Aeliana instintivamente agarrou a frente da camisa dele, e o sangue em seus dedos manchou o tecido caro, deixando marcas vermelhas e nítidas.
Jocelino nem sequer franziu a testa, apenas apertou os braços, segurando-a com mais firmeza.
A brisa noturna soprava, levantando os cabelos soltos dela, que ainda exalavam um leve perfume.
Jocelino baixou a cabeça, respirando aquele aroma misturado ao cheiro metálico de sangue, sentindo o coração ser esmagado por uma mão invisível.
Ele a colocou no carro, depositando-a suavemente no banco traseiro.
Aeliana estava com os olhos semiabertos; o decote rasgado do vestido deslizou, revelando um grande hematoma no ombro, que contrastava dolorosamente com sua pele pálida.
Os dedos de Jocelino pararam por um instante, mas ele acabou puxando o sobretudo delicadamente para cobri-la.
— Durma. — Sua voz estava rouca. — Eu te chamo quando chegarmos ao hospital.
Aeliana murmurou um "hum" confuso, e sua consciência finalmente mergulhou na escuridão.
Jocelino acomodou Aeliana no carro e, certificando-se de que ela estava segura por enquanto, virou-se e fechou a porta.
A gentileza em seu rosto desapareceu instantaneamente, substituída por uma frieza assassina.
Agora, ele ia resolver isso.
Na entrada do beco, a polícia já havia cercado o restante dos mascarados.
Surpreendentemente, mesmo imobilizados no chão, aquele grupo não demonstrava pânico algum.
Seus olhares eram sombrios, e os cantos de suas bocas exibiam sorrisos de desdém, como se a prisão fosse apenas uma formalidade.
Jocelino caminhou até lá a passos largos e pisou na mão dele com força, arrancando um grito de forma agoniante.
— Ahhh!
O homem gritou, mas ainda assim ergueu a cabeça com um sorriso sinistro.
— O Sr. Barreto está muito nervosinho.
— Vo-você teria coragem de me matar? Nosso chefe não vai deixar...
— Eu não vou te matar.
Jocelino soltou-o de repente, limpando os dedos calmamente.
— Pessoas com a sua origem suja nunca são confiáveis.
— Você acha que seu chefe vai te salvar depois de saber que foi pego por nós?
Jocelino soltou-o e limpou as mãos devagar:
— Levem-nos. Interroguem-nos bem.
Ele olhou para o capitão da polícia:
— Quero cuidar pessoalmente desses homens.
O capitão assentiu:
— Pode deixar, Sr. Barreto. Já está tudo arranjado.
Não muito longe dali, Odilon chegou às pressas, com o rosto grave:
— Chefe, como está a Srta. Oliveira?

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