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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 490

Décio sentia dor só de olhar.

— Sr. Wallace, que tal dar um tempo...

Aeliana ainda não tinha falado, mas Décio já não aguentava e queria interceder por ela.

— Eu não gosto que me interrompam durante o treino.

— O verdadeiro inimigo não vai deixá-la descansar.

Wallace interrompeu friamente.

O Wallace daquele momento contrastava fortemente com a figura discreta de todos os dias.

Poderia se dizer que agora ele parecia mais um assassino impiedoso.

Dizendo isso, Wallace girou o pulso e o galho de ameixeira mudou de direção repentinamente, estocando direto na garganta de Aeliana!

Aeliana contraiu as pupilas, instintivamente virou a cabeça para desviar e, ao mesmo tempo, formou uma garra com a mão direita, tentando agarrar o pulso de Wallace que segurava o galho.

Era o golpe que ela mais havia treinado nos últimos três dias.

Mas Wallace parecia ter previsto; o galho girou de volta subitamente e "pá", chicoteou nas articulações dos dedos dela!

— Ai!

Aeliana recolheu a mão com dor, os nós dos dedos ardiam, quase perdendo a sensibilidade.

Wallace recolheu o galho, com tom calmo.

— O treino com o Décio nesses dias fez você criar dependência.

— A "Técnica do Fio de Seda" não é feita de golpes mortos, é preciso se adaptar.

Ele "olhou" para ela,

— Você depende demais de padrões.

Aeliana ofegava, o peito subindo e descendo violentamente.

Nos treinos com Décio nos dias anteriores, Aeliana achava que tinha progredido muito.

Mas hoje, diante de Wallace, parecia uma criança aprendendo a andar.

Aeliana percebeu o quanto estava enganada.

Inclusive, Aeliana sentia vagamente que Wallace ainda poderia estar se segurando.

Pensando nisso, Aeliana instantaneamente se encheu de espírito de luta novamente.

Ela limpou o suor da testa, reassumiu a postura, os olhos queimando com uma chama obstinada.

— De novo.

O canto da boca de Wallace ergueu-se imperceptivelmente.

— Ótimo.

...

— Deixe-me tratar seus ferimentos.

Se aquelas marcas no corpo de Aeliana não fossem massageadas a tempo para dispersar o sangue pisado, depois ela ficaria cheia de hematomas.

Aeliana balançou a cabeça, olhando na direção em que Wallace se foi, o olhar aprofundando-se.

O passado de Flávia e daquele homem, provavelmente era mais complexo do que ela imaginava.

E o que ela tinha que aprender ainda estava longe de ser suficiente.

Afinal, até alguém com a habilidade incrível de Wallace acabou torturado daquele jeito.

Quanto mais ela, que agora não chegava nem aos pés do Wallace.

Não é à toa que, quando ela disse que curaria o veneno de Wallace, ele teve aquela reação.

No fim das contas, era ela quem ainda não tinha alcançado aquele nível de força.

Com esse pensamento, Aeliana esforçou-se ainda mais nos treinos seguintes.

Até que chegou o último dia de Aeliana em Nova Aurora.

Ao crepúsculo, as sombras das ameixeiras dançavam no pátio.

Wallace estava sentado na cadeira de rodas, os dedos acariciando a xícara, a voz grave.

— O tempo que combinamos chegou.

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