Décio sentia dor só de olhar.
— Sr. Wallace, que tal dar um tempo...
Aeliana ainda não tinha falado, mas Décio já não aguentava e queria interceder por ela.
— Eu não gosto que me interrompam durante o treino.
— O verdadeiro inimigo não vai deixá-la descansar.
Wallace interrompeu friamente.
O Wallace daquele momento contrastava fortemente com a figura discreta de todos os dias.
Poderia se dizer que agora ele parecia mais um assassino impiedoso.
Dizendo isso, Wallace girou o pulso e o galho de ameixeira mudou de direção repentinamente, estocando direto na garganta de Aeliana!
Aeliana contraiu as pupilas, instintivamente virou a cabeça para desviar e, ao mesmo tempo, formou uma garra com a mão direita, tentando agarrar o pulso de Wallace que segurava o galho.
Era o golpe que ela mais havia treinado nos últimos três dias.
Mas Wallace parecia ter previsto; o galho girou de volta subitamente e "pá", chicoteou nas articulações dos dedos dela!
— Ai!
Aeliana recolheu a mão com dor, os nós dos dedos ardiam, quase perdendo a sensibilidade.
Wallace recolheu o galho, com tom calmo.
— O treino com o Décio nesses dias fez você criar dependência.
— A "Técnica do Fio de Seda" não é feita de golpes mortos, é preciso se adaptar.
Ele "olhou" para ela,
— Você depende demais de padrões.
Aeliana ofegava, o peito subindo e descendo violentamente.
Nos treinos com Décio nos dias anteriores, Aeliana achava que tinha progredido muito.
Mas hoje, diante de Wallace, parecia uma criança aprendendo a andar.
Aeliana percebeu o quanto estava enganada.
Inclusive, Aeliana sentia vagamente que Wallace ainda poderia estar se segurando.
Pensando nisso, Aeliana instantaneamente se encheu de espírito de luta novamente.
Ela limpou o suor da testa, reassumiu a postura, os olhos queimando com uma chama obstinada.
— De novo.
O canto da boca de Wallace ergueu-se imperceptivelmente.
— Ótimo.
...
— Deixe-me tratar seus ferimentos.
Se aquelas marcas no corpo de Aeliana não fossem massageadas a tempo para dispersar o sangue pisado, depois ela ficaria cheia de hematomas.
Aeliana balançou a cabeça, olhando na direção em que Wallace se foi, o olhar aprofundando-se.
O passado de Flávia e daquele homem, provavelmente era mais complexo do que ela imaginava.
E o que ela tinha que aprender ainda estava longe de ser suficiente.
Afinal, até alguém com a habilidade incrível de Wallace acabou torturado daquele jeito.
Quanto mais ela, que agora não chegava nem aos pés do Wallace.
Não é à toa que, quando ela disse que curaria o veneno de Wallace, ele teve aquela reação.
No fim das contas, era ela quem ainda não tinha alcançado aquele nível de força.
Com esse pensamento, Aeliana esforçou-se ainda mais nos treinos seguintes.
Até que chegou o último dia de Aeliana em Nova Aurora.
Ao crepúsculo, as sombras das ameixeiras dançavam no pátio.
Wallace estava sentado na cadeira de rodas, os dedos acariciando a xícara, a voz grave.
— O tempo que combinamos chegou.

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