— Chegando tão cedo na empresa, não me diga que veio assinar o contrato de rescisão?
Henrique não lhe deu atenção e passou direto por ele, indo até o escritório de Evaldo.
Evaldo também demonstrou surpresa ao vê-lo chegar.
Henrique manteve a expressão calma e foi direto ao ponto.
— Vim pedir o endereço da Sra. Rabelo.
Sra. Rabelo?
Não era a milionária que a empresa queria apresentar a Henrique da última vez?
O quê?
Passaram-se apenas alguns dias e Henrique já mudou de ideia?
Parece que esse osso duro de roer não aguentou nem uma semana.
Evaldo soltou um riso de escárnio e puxou lentamente um cartão de visitas dourado da gaveta, empurrando-o para Henrique.
— Não teria sido melhor fazer isso antes?
Ele recostou-se na cadeira, com um tom carregado de sarcasmo.
— Me diz, para que fingir tanta pureza? Quem no mundo do entretenimento não sabe que você, Henrique, só chegou onde chegou porque a família Oliveira injetou dinheiro?
— Se tivesse me ouvido na época, não teria chegado a essa situação feia agora.
Henrique cerrou os punhos com força, os nós dos dedos brancos, reprimindo o impulso de discutir com Evaldo.
Afinal, ele ainda precisava de Evaldo; se o ofendesse novamente desta vez,
Estaria realmente num beco sem saída.
As emoções de Henrique estavam estampadas em seu rosto.
Vendo aquela cara feia de Henrique, como se tivesse engolido uma mosca,
Evaldo sentiu apenas prazer. Se sabia que acabaria assim, por que agiu daquela forma no início?
Ele levantou-se, deu tapinhas no ombro de Henrique e "consolou-o" com um tom falso.
— Está bem, pare de fazer essa cara feia para mim.
— Em consideração à nossa amizade antiga, vou te dar mais um aviso: quando for atender a cliente, não pode ficar com essa cara.
— Aquela Sra. Rabelo, embora seja um pouco mais velha, é generosa.
— Faça um sacrifício e acompanhe-a por alguns meses, e sua multa rescisória não estará resolvida?
Henrique afastou a mão dele com um gesto brusco, com um olhar sombrio.
— Evaldo, já acabou?
Do outro lado da linha, veio a risada satisfeita de um homem: — Muito bem.
— O que eu te disse antes? A presa entra na jaula sozinha.
Evaldo baixou a voz: — E aquela parte que o senhor me prometeu...
Mário riu levemente.
— Fique tranquilo, não vai faltar nada para você.
Ao desligar o telefone, Evaldo encarou o aparelho e não pôde deixar de orar por Henrique em seu coração.
Ele teve a chance de se salvar, mas preferiu cavar a própria cova.
Esse trabalho de "acompanhante" não era algo que qualquer um conseguisse fazer.
O verdadeiro show ainda estava por vir.
...
No corredor.
Henrique apertava aquele cartão com tanta força que suas unhas quase o perfuravam.
Ele estava diante da janela, olhando para a próspera paisagem noturna lá fora, e de repente sentiu uma ironia sem tamanho.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias