Essa Aeliana era, de fato, uma amiga que valia a pena manter.
No carro de volta, Venâncio discou o número do Sr. Gomes.
— Professor. — Seu tom raramente trazia um toque de brincadeira. — Essa sua "jovem amiga" realmente me impressionou.
Do outro lado da linha, o Sr. Gomes riu alto: — Viu só? Eu não exagerei, não é?
— Não só não exagerou. — Venâncio balançou a cabeça. — A compreensão dela sobre certos aspectos da medicina supera a dos doutorandos que já orientei.
— Não é à toa que o senhor a elogia tanto.
...
Enquanto isso.
Henrique podia dizer que fora encurralado pela empresa, sem saída.
Desde que a companhia de Henrique anunciou oficialmente a rescisão do contrato à mídia,
As mensagens de cobrança chegavam ao celular de Henrique todos os dias.
Como trombetas anunciando sua morte.
Tocando sem parar, dia após dia.
Henrique estava sentado na sala escura; já perdera a conta de há quantos dias não via a luz do sol.
A luz da tela do celular refletia em seu rosto pálido.
E na parte inferior da tela, estava a mensagem que seu agente, Evaldo, acabara de enviar:
[Henrique, não se finja de morto.]
[A empresa te deu um ultimato: se até às dez da manhã de amanhã você não assinar o termo de rescisão, a empresa vai te processar diretamente no tribunal. Aí a multa não será apenas de um bilhão.]
[Pense bem.]
Os dedos de Henrique tremiam levemente.
Ele agarrou a garrafa de uísque e bebeu um gole grande, o álcool queimando sua garganta já anestesiada.
O celular vibrou novamente; era uma mensagem de Rodrigo.
[Como está a situação com a sua empresa? Papai e mamãe ficaram furiosos ao saber do seu caso, resolva isso você mesmo.]
[Lembre-se do prazo de uma semana que te dei. Se passar uma semana e você não voltar, pode morrer aí fora mesmo, a família Oliveira vai fingir que você nunca existiu.]
Cada uma dessas mensagens estimulava os nervos já instáveis de Henrique.
— Bang!
Henrique atirou violentamente a garrafa de uísque contra a parede, estilhaçando-a, e cacos de vidro respingaram perto de seus pés.
No dia seguinte.
Às seis da manhã, com o dia apenas clareando.
Henrique já estava parado embaixo do prédio da agência, sem pressa de entrar. Em vez disso, encarava a placa da empresa com um olhar sombrio e distante.
Os trabalhadores que passavam na corrida matinal olhavam para ele mais de uma vez, mas logo baixavam a cabeça e apressavam o passo; ninguém reconheceu aquele homem barbudo como o antigo superastro.
O elevador subia andar por andar.
Henrique observava os números dos andares mudando, lembrando-se da cena de quando viera assinar o contrato pela primeira vez, quatro anos atrás.
Naquele dia, ele vestia um terno sob medida, cercado de bajuladores, e o próprio chefe da empresa lhe servira água, dizendo que ele era a "futura superestrela".
E agora...
— Ding.
O som da porta do elevador interrompeu as memórias de Henrique.
Ele ergueu os olhos.
E viu seu rival preparando café na recepção. Ao vê-lo, o homem ergueu as sobrancelhas exageradamente.
— Ora, ora, não é o famoso Henrique? O sol nasceu no oeste hoje?

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