— Depois que morarmos juntos, será mais conveniente para o meu tratamento, não precisarei correr de um lado para o outro.
— Meu carro não está aqui, perderia muito tempo indo e vindo, então assim está ótimo.
Jocelino ponderou por um momento e disse de repente,
— Amanhã mandarei alguém entregar alguns medicamentos e equipamentos para você.
Aeliana ficou surpresa,
— Não precisa, eu acabei de comprar...
— Não tem problema.
Ele a interrompeu, com um tom que não aceitava recusa.
— O que é seu é seu, o que é meu é meu.
— Sei muito bem do que você precisa para se tratar.
— De qualquer forma, quando acabar, você pode trazer de volta, considere como um presente meu para você.
Aeliana mordeu o lábio, sentindo uma onda de calor no coração.
Ela não recusou mais e disse suavemente,
— Obrigada.
Houve silêncio do outro lado da linha por alguns segundos, e a voz de Jocelino baixou um pouco.
— Aeliana.
— Hum?
— Embora eu já tenha dito isso muitas vezes, não consigo deixar de dizer novamente.
— Não se esforce demais a ponto de se cansar.
Seu tom carregava um pesar carinhoso.
— Eu vou sentir dor no coração.
A respiração de Aeliana falhou levemente, seu coração acelerou involuntariamente e ela sentiu até um certo aperto na garganta.
Desde que cresceu, ninguém nunca havia lhe dito que "sentiria dor no coração por ela".
Aeliana apertou o celular e murmurou um baixo "hum".
Nenhum dos dois falou mais nada, apenas o som de suas respirações leves restava na linha.
Depois de muito tempo, Jocelino disse suavemente,
— Durma. Boa noite.
Aeliana fechou os olhos, sua voz tão baixa que era quase inaudível,
— Boa noite.
Mas ele não esperava o que aconteceria assim que chegasse ao escritório de Evaldo na agência.
Evaldo empurrou um cartão de visitas com letras douradas para frente de Henrique, com a voz extremamente baixa.
— Henrique, fique com este cartão.
— Este é o contato da Sra. Rabelo. Se você estiver disposto a jantar com ela, ela pode resolver a multa contratual da empresa desta vez.
Henrique encarou o cartão sem logotipo de empresa e de repente soltou uma risada fria.
— Sra. Rabelo? Eu lembro que ela não estava envolvida com alguns dos pequenos astros da nossa empresa?
— Você está me dando o cartão dela? Para eu fazer o quê?
Seus dedos longos pegaram o cartão, girando-o sob a luz, com os olhos cheios de escárnio.
No segundo seguinte, o rosto de Henrique escureceu instantaneamente; ele bateu o cartão na mesa com força, um sorriso de desdém nos lábios.
— Evaldo!
— Você quer que eu me prostitua?
A voz de Henrique não estava alta, mas era fria como gelo, e o olhar dirigido a Evaldo estava cheio de repulsa.
Evaldo se assustou com a reação dele.
Nos anos em que gerenciava Henrique, nunca o tinha visto tão furioso assim.

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