— Tchau.
Desligando o telefone, Aeliana segurou o aparelho e ficou parada diante da janela por um longo tempo.
A noite lá fora era profunda, mas seu coração parecia envolto em algo suave, quente e seguro.
Então era essa a sensação de ser importante para alguém.
Ela olhou para a tela do celular, que ainda mostrava o registro da chamada com Jocelino.
Passando o dedo levemente sobre o nome dele, um sorriso gentil surgiu no fundo dos olhos de Aeliana.
Assim que terminou a ligação, Décio chamou Aeliana para jantar no andar de baixo.
Aeliana desceu e viu que Décio realmente havia feito uma mesa cheia de pratos.
Embora a aparência fosse comum, o sabor era surpreendentemente bom.
Ele serviu comida para Aeliana com entusiasmo.
— Dra. Oliveira, prove essa carne de panela! É minha especialidade!
Aeliana provou um pedaço e assentiu surpresa.
— Realmente muito bom.
A comida de Décio era exatamente como ele dissera: sabor de comida caseira comum.
Porém, para Aeliana, que não sabia cozinhar e não era exigente, o sabor estava ótimo.
Mas o exigente Wallace era diferente.
Ao receber o elogio de Aeliana, Décio sorriu até os olhos se fecharem e serviu uma porção para Wallace.
— Sr. Wallace, prove também!
Wallace "olhou" para ele sem expressão.
— Está salgado.
Décio:
— ...
Aeliana sorriu de boca fechada.
...
Uma noite sem sonhos.
Os remédios estavam comprados, as ferramentas completas.
Assim que acordou no dia seguinte, Aeliana começou imediatamente o tratamento de Wallace.
Aeliana escolheu especialmente um quarto vago com boa localização para servir de consultório para Wallace.
No consultório.
— Odeia você até os ossos.
Wallace riu de repente, uma risada rouca como lixa raspando.
— Você é bem perspicaz.
Ele tateou para vestir a roupa, com um tom calmo beirando a indiferença.
— Mas há coisas que saber demais não lhe trará benefícios.
Aeliana estreitou os olhos, perguntando sem se conformar.
— Então pelo menos me diga, esse veneno tem algo a ver com a Flávia?
O movimento de Wallace parou, mas logo ele continuou a arrumar o colarinho como se nada tivesse acontecido.
— Você não leu o diário da Flávia? Adivinhe você mesma.
Aeliana engasgou com a atitude dele; queria perguntar mais, mas Wallace já girava a cadeira de rodas para sair.
— Vejo que hoje você não vai conseguir curar, então vamos aprender outra coisa.
Ele parou na porta, inclinando levemente a cabeça.
— Combinamos que eu ensinaria alguns golpes de defesa pessoal, vamos começar hoje.
— Aprenda bem, para evitar que um dia seja pega de surpresa sem nem saber por quem.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias