No entanto, assim que terminou de falar, Décio pareceu se lembrar de algo e acrescentou em voz baixa.
— Mas minhas habilidades culinárias não são lá essas coisas... no máximo é comestível.
— O Sr. Wallace vive dizendo que minha comida é ruim...
Aeliana não conteve o riso.
— Tudo bem, então esta noite deixo com você.
De qualquer forma, ela não tinha desejos muito fortes por comida, desde que tivesse algo para comer estava bom.
Agora não havia espaço para ela atuar na cozinha.
Aeliana virou-se para ir ao escritório pegar o diário da Flávia.
Ao passar pela sala de estar, viu que Wallace ainda estava sentado diante da janela, imóvel.
A luz do crepúsculo caía sobre ele, desenhando uma silhueta solitária.
Aeliana hesitou por um momento, mas acabou não o incomodando.
No quarto, Aeliana deitou-se na cama, lendo o diário.
Sua visão foi ficando turva gradualmente, e as palavras no diário se desfocaram.
Depois de comprar remédios de manhã e carregar malas, Aeliana estava cansada.
Agora que tudo estava arrumado, o sono chegou.
Aeliana adormeceu sem perceber.
Quando acordou, já estava escuro.
Ouvindo que não havia movimento lá embaixo.
Aeliana tomou um banho e caminhou até a janela do chão ao teto secando os cabelos úmidos.
A noite lá fora estava silenciosa, e as luzes da rua ao longe pontilhavam a escuridão como estrelas.
Ela pegou o celular, os dedos pararam na tela por um momento.
Pensou que, depois de se instalar na casa nova hoje, ainda não tinha ligado para Jocelino.
Aeliana hesitou, mas acabou discando o número dele.
— Tuuu!
A chamada foi atendida rapidamente, e a voz grave do homem veio pelo receptor, com um traço de preocupação quase imperceptível.
— Alô?
— Aeliana.
— Jocelino.
— Recebi a chave, já me mudei hoje.
Ao ouvir isso, Jocelino suspirou aliviado.
Ela sabia que aquelas agulhas de prata novas e os equipamentos de desinfecção não estariam tão completos se não fossem preparados com muito cuidado.
Houve silêncio do outro lado da linha por alguns segundos, e então a voz de Jocelino soou mais suave.
— Aeliana, isso é o que eu deveria fazer.
— Você não precisa ser tão formal comigo.
Seu tom era grave e firme, como se fosse algo óbvio.
O coração de Aeliana se aqueceu levemente, e os cantos de seus lábios se ergueram involuntariamente.
Ela não disse mais nenhuma frase de cortesia, apenas soltou um leve "hum".
— Descanse cedo — a voz de Jocelino ficou ainda mais gentil. — Afinal, tratar doenças exige esforço físico, não se canse demais.
Aeliana sorriu.
— Tá bom.
Ela fez uma pausa e acrescentou.
— Você não fique acordado até tarde.
Do outro lado da linha pareceu vir outro riso baixo, e então Jocelino disse suavemente.
— Tchau.

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