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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 417

— O senhor tem hora marcada?

Henrique apertou levemente os dedos, reprimindo a irritação em seu peito.

— Não, mas por favor, avise ao Sr. Martins que é o Henrique e que tenho um assunto importante.

A recepcionista manteve o sorriso profissional.

— Sinto muito. Se não tiver hora marcada, de acordo com as regras da empresa, não é possível ver o Sr. Martins.

Henrique respirou fundo, e seu tom finalmente adquiriu um toque de súplica.

— Eu realmente tenho uma emergência, não pode abrir uma exceção?

— Apenas diga que sou o Henrique Oliveira. O Sr. Martins certamente concordará em me receber.

A recepcionista hesitou, mas acabou intimidada pela certeza de Henrique e pegou o telefone interno.

Ela discou o ramal e falou algumas palavras em voz baixa com a pessoa do outro lado.

Momentos depois, ela desligou o telefone com uma expressão levemente constrangida.

— Sinto muito, Sr. Oliveira. O Sr. Martins disse... que não tem tempo para vê-lo hoje.

— É melhor o senhor ir embora e não perder seu tempo aqui.

O rosto de Henrique enrijeceu. Sentiu como se uma pedra enorme bloqueasse seu peito, tornando difícil até respirar.

Ele tentou manter a dignidade restante e perguntou em voz baixa,

— E quando o Sr. Martins terá tempo?

A recepcionista balançou a cabeça:

— O Sr. Martins disse... que não terá tempo num futuro próximo.

Rafael praticamente deixou claro que não queria vê-lo.

Henrique ficou parado, as unhas cravando profundamente nas palmas das mãos, mas sem sentir dor.

Rafael não queria vê-lo.

Nem sequer lhe daria a chance de se desculpar.

Ele devia ter imaginado...

Aline era amiga de Aeliana, e a família Martins sempre foi muito protetora.

E naquele dia, ele não só zombou de Aeliana no show, como também permitiu que os fãs a insultassem...

Até sua irmã mais querida, Amália...

Começou a ser falsa com ele.

Henrique abriu a lista de contatos, o dedo parou sobre o nome "Amália" por um longo tempo, mas acabou não ligando.

De que adiantaria ligar?

Ela não podia ajudá-lo.

E talvez... nem quisesse ajudá-lo.

Ele respirou fundo e ligou novamente para Gustavo.

— Pai...

Do outro lado da linha, a voz de Gustavo soava cansada e fria.

— Henrique, eu sei por que você está ligando.

— Vou ser sincero, não adianta me ligar. A família não tem dinheiro agora, dê seu jeito.

Nem foi preciso Henrique explicar; Gustavo já tinha ouvido falar dos acontecimentos recentes de Henrique através de Rodrigo.

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