Dá até para dizer… que foi bem fácil.
Claro, ele jamais diria isso em voz alta.
Se falasse, estragaria o disfarce.
Ele preferiu manter o silêncio, fingindo humildemente aceitar as críticas.
Ao vê-lo com aquela atitude indiferente, Silvana ficou ainda mais brava, achando que o cara era um completo tapado!
Ela respirou fundo, sem paciência para perder mais tempo discutindo, e deu um passo à frente. Com um movimento ágil, tomou o mouse, salvou rapidamente o documento que ele estava editando e, com um estalo seco, desligou a CPU do computador direto no botão!
— Ei!
Rodrigo não esperava por aquilo. Pego de surpresa, encarou a tela que escureceu num piscar de olhos, perdendo as palavras por um momento.
Deveria elogiá-la por ter a consideração de salvar seus arquivos ou chamá-la de imprudente?
— Chega!
— Não faça mais nada! Vá para casa dormir, agora mesmo!
Silvana colocou as mãos na cintura, usando um tom inquestionável que exalava a autoridade de uma líder durona.
— Amanhã vou falar com o Sr. Sousa e o Iran que não podem fazer essa bagunça com esse projeto!
— Mesmo que queiram sacanear alguém, não podem brincar com os negócios da empresa! Esse planejamento afeta o balanço do próximo trimestre, não é brincadeira!
Ela olhou para o rosto de Rodrigo, que parecia ainda mais abatido sob a luz fraca, e suavizou um pouco o tom, embora continuasse firme:
— Me escute, vá descansar.
— A saúde vem em primeiro lugar. Não vale a pena se esgotar só para provocar um cara como o Francisco!
— Amanhã a gente resolve!
Dito isso, ela começou a arrumar as coisas de Rodrigo sem lhe dar chance de protestar.
Rodrigo observou a silhueta da mulher ágil e decidida, e depois olhou para a tela preta do computador. No começo, sentira um pingo de irritação pela atitude presunçosa de Silvana.
A rua estava vazia, rompida apenas pelo som passageiro do vento causado por um ou outro carro que passava em alta velocidade.
O vento noturno trazia um frescor agradável, varrendo algumas folhas caídas na calçada.
Silvana caminhou em direção ao estacionamento, o clique de seus saltos soando cristalino no silêncio. Rodrigo parou sob o ponto de ônibus em frente ao prédio. Àquela hora, o último ônibus já havia passado, então precisaria pedir um carro de aplicativo.
Silvana deu a partida em seu sedã branco, e os faróis quentes cortaram a escuridão. Ela dirigiu lentamente até o ponto, abaixou o vidro, e o vento aproveitou para invadir o carro, balançando os fios soltos ao redor de seu rosto.
Ela olhou para Rodrigo sob a luz do poste — a figura ligeiramente magra, porém ainda de postura ereta — e mordeu o lábio, incapaz de se segurar antes de dar um último aviso.
— Lembre-se, não vá bancar o idiota amanhã! Espere notícias minhas!
Enquanto acompanhava as lanternas traseiras do carro desaparecerem na esquina, Rodrigo deu um sorriso quase imperceptível.
A diretora de planejamento tinha um temperamento explosivo, mas não era uma pessoa ruim.
Talvez... em seu caminho para reorganizar a Eixo&Forma Engenharia & Construção, ele tivesse ganhado uma aliada inesperada.

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