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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1760

Dá até para dizer… que foi bem fácil.

Claro, ele jamais diria isso em voz alta.

Se falasse, estragaria o disfarce.

Ele preferiu manter o silêncio, fingindo humildemente aceitar as críticas.

Ao vê-lo com aquela atitude indiferente, Silvana ficou ainda mais brava, achando que o cara era um completo tapado!

Ela respirou fundo, sem paciência para perder mais tempo discutindo, e deu um passo à frente. Com um movimento ágil, tomou o mouse, salvou rapidamente o documento que ele estava editando e, com um estalo seco, desligou a CPU do computador direto no botão!

— Ei!

Rodrigo não esperava por aquilo. Pego de surpresa, encarou a tela que escureceu num piscar de olhos, perdendo as palavras por um momento.

Deveria elogiá-la por ter a consideração de salvar seus arquivos ou chamá-la de imprudente?

— Chega!

— Não faça mais nada! Vá para casa dormir, agora mesmo!

Silvana colocou as mãos na cintura, usando um tom inquestionável que exalava a autoridade de uma líder durona.

— Amanhã vou falar com o Sr. Sousa e o Iran que não podem fazer essa bagunça com esse projeto!

— Mesmo que queiram sacanear alguém, não podem brincar com os negócios da empresa! Esse planejamento afeta o balanço do próximo trimestre, não é brincadeira!

Ela olhou para o rosto de Rodrigo, que parecia ainda mais abatido sob a luz fraca, e suavizou um pouco o tom, embora continuasse firme:

— Me escute, vá descansar.

— A saúde vem em primeiro lugar. Não vale a pena se esgotar só para provocar um cara como o Francisco!

— Amanhã a gente resolve!

Dito isso, ela começou a arrumar as coisas de Rodrigo sem lhe dar chance de protestar.

Rodrigo observou a silhueta da mulher ágil e decidida, e depois olhou para a tela preta do computador. No começo, sentira um pingo de irritação pela atitude presunçosa de Silvana.

A rua estava vazia, rompida apenas pelo som passageiro do vento causado por um ou outro carro que passava em alta velocidade.

O vento noturno trazia um frescor agradável, varrendo algumas folhas caídas na calçada.

Silvana caminhou em direção ao estacionamento, o clique de seus saltos soando cristalino no silêncio. Rodrigo parou sob o ponto de ônibus em frente ao prédio. Àquela hora, o último ônibus já havia passado, então precisaria pedir um carro de aplicativo.

Silvana deu a partida em seu sedã branco, e os faróis quentes cortaram a escuridão. Ela dirigiu lentamente até o ponto, abaixou o vidro, e o vento aproveitou para invadir o carro, balançando os fios soltos ao redor de seu rosto.

Ela olhou para Rodrigo sob a luz do poste — a figura ligeiramente magra, porém ainda de postura ereta — e mordeu o lábio, incapaz de se segurar antes de dar um último aviso.

— Lembre-se, não vá bancar o idiota amanhã! Espere notícias minhas!

Enquanto acompanhava as lanternas traseiras do carro desaparecerem na esquina, Rodrigo deu um sorriso quase imperceptível.

A diretora de planejamento tinha um temperamento explosivo, mas não era uma pessoa ruim.

Talvez... em seu caminho para reorganizar a Eixo&Forma Engenharia & Construção, ele tivesse ganhado uma aliada inesperada.

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