O escritório tinha apenas uma lâmpada solitária acesa acima dele. A luz amarelada delineava sua figura magra, porém esguia.
Rodrigo estava ligeiramente encurvado, com o olhar fixo e focado na tela. Nem percebeu a aproximação de alguém.
O belo perfil do rosto ganhava contornos nítidos sob a iluminação: o nariz reto, a linha da mandíbula ainda mais evidente pela magreza, transmitindo até um ar de frieza em seus traços.
As noites em claro sucessivas deixaram ele com olheiras profundas. À luz da lâmpada, seu rosto estava levemente pálido e os lábios desbotados, revelando um cansaço inegável.
Mas todo esse esgotamento era eclipsado pelos seus olhos.
Rodrigo tinha a testa ligeiramente franzida, mas o olhar era extraordinariamente claro e penetrante, como um poço fundo refletindo estrelas frias, preso nos números e nas palavras que não paravam de rolar pela tela. Seu olhar faiscava com análises lógicas e pensamentos muito rápidos.
Seus dedos longos e marcados batiam rápido no teclado. Os movimentos eram fluidos e constantes, produzindo estalos rápidos e agudos que criavam uma harmonia curiosa com a aura calma que emanava dele, como se ele fosse imune ao cansaço.
— Rodrigo? Como assim você ainda não foi embora?
Silvana ficou espantada, deu alguns passos para a frente e seus olhos passaram pelos primeiros esboços do projeto que já tomava forma na tela.
O choque no coração de Silvana apenas aumentou.
Ela se aproximou mais um pouco, analisando toda a estrutura altamente organizada que estava na tela.
Comparações estatísticas evidentes e uma estratégia de promoção já delineada.
Aquilo não era, de forma alguma, um apanhado de ideias soltas; a lógica que Rodrigo usara era nítida e o foco central estava perfeito.
Com seus anos de experiência, ela percebia o talento à primeira vista.
Um projeto estratégico não era algo que se montava com achismos.
Rodrigo escutou os passos e a pergunta. Os dedos no teclado pararam e ele virou o rosto.
Ao ver que era Silvana, um leve traço de surpresa quase imperceptível atravessou seu olhar, como se não esperasse ver ninguém àquela hora.
— E você? Ficou maluco?
— Está na cara que ele está armando para você! Com o isolamento aqui no escritório, bastava ignorar, porque na verdade ele não pode fazer nada contra você! Mas para que diabos você foi aceitar esse projeto?
— Normalmente, o projeto do trimestre levaria entre uma a duas semanas com uma equipe inteira trabalhando. Com esse volume absurdo, como você acha que vai dar conta sozinho e em uma semana?
— Isso não é entregar de bandeja uma desculpa perfeita para ele acabar com a sua raça mais tarde?
A voz de Silvana soava cada vez mais afobada; ela simplesmente não entendia por que aquele novato, que parecia tão esperto e frio, estava cometendo tamanha burrice logo em uma hora crítica.
Rodrigo, tomando aquela bronca explosiva na cara, fez uma expressão até inocente.
Ele olhou para a estrutura do planejamento na tela — que já estava quase pela metade — e voltou os olhos para o rosto vermelho de raiva de Silvana. Pensou consigo mesmo.
Na verdade... Comparando com todas as transações de fusões e aquisições que ele havia gerido no Grupo Oliveira no passado, o nível de esforço e de dificuldade daquele projetinho não era absolutamente nada.

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