O elevador subiu de forma suave. Rodrigo saiu e se deparou com a porta de vidro da Eixo&Forma Engenharia & Construção.
A recepção não era muito grande, mas estava limpa. Na parede, havia algumas fotos de equipe já amareladas pelo tempo e alguns certificados de reconhecimento por metas batidas.
Atrás do balcão, uma garota de vinte e poucos anos, com maquiagem impecável, estava de cabeça baixa, totalmente absorta em um joguinho de celular. Ao ouvir os passos,
a recepcionista levantou os olhos com preguiça. Quando viu Rodrigo, com roupas casuais tão usadas que já tinham perdido a cor e segurando apenas um envelope simples pardo, ela não tentou esconder o desdém na sua expressão.
— Você veio para a entrevista de emprego?
— Trouxe o currículo? Pode deixar aqui, qualquer coisa a gente avisa.
Ela apontou para uma cesta de plástico na bancada, cheia até transbordar de papéis amassados.
Rodrigo não parou de andar. Foi direto ao balcão e respondeu com um tom perfeitamente calmo:
— Estou procurando pelo Iran.
— Já tenho hora marcada com ele.
A garota se surpreendeu por um segundo e o avaliou mais uma vez, mas continuou sem ver nada de especial nele. Ela torceu o nariz, pegou o telefone interno e falou com a mesma atitude displicente de antes.
— Oi, Iran, tem um cara aqui na frente te procurando, disse que tinha horário agendado com você...
Ela olhou para Rodrigo:
— Qual é o seu sobrenome?
— Oliveira.
— É um tal de Oliveira.
— Ah, beleza.
A garota desligou o telefone e apontou para o fundo do corredor, com tanta preguiça que mal erguia os olhos.
— Segue reto. É a última sala, o escritório do Iran.
— Pode entrar.
— Obrigado.
Rodrigo acenou de leve com a cabeça, deu as costas e caminhou pelo corredor mal iluminado.
Ao ver Rodrigo, ele franziu a testa, tirou o cigarro que trazia na boca e bateu a cinza na beirada do cinzeiro:
— Você é o Rodrigo, certo?
— O pessoal de cima já me avisou sobre você. Senta aí.
Ele apontou para uma cadeira de plástico à sua frente. Ao mesmo tempo, jogou-se novamente na sua própria cadeira de escritório, que rangeu sob o peso, cruzou as pernas e começou a analisar Rodrigo de cima a baixo, com um tom avaliativo e um desdém difícil de esconder.
— Oliveira, não é? Parece bem jovem.
— Já trabalhou com comércio antes?
Rodrigo sentou-se na cadeira de plástico com a coluna ereta, destoando completamente da sujeira e desorganização ao seu redor.
Em vez de responder à pergunta, ele foi direto ao ponto:
— Iran, o que preciso fazer para preencher a papelada de admissão?
A franqueza de Rodrigo deixou Iran um pouco desconsertado no início. Mas logo em seguida, o homem deu uma risadinha debochada. Ele remexeu numa gaveta, puxou uns formulários amassados e jogou-os na frente de Rodrigo, junto com uma caneta esferográfica que estava quase sem tinta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Despertar Depois dos 1460 dias