— Ele disse que, com tudo resolvido, já começa amanhã.
Jocelino estava com a cabeça baixa, assinando um documento. Ao ouvir isso, a caneta-tinteiro em sua mão parou por um instante, antes de completar a assinatura com fluidez.
Ele ergueu o olhar. Seu rosto não demonstrava nenhuma expressão em particular. Apenas acenou com a cabeça quase imperceptivelmente e respondeu num tom monótono:
— Certo, estou ciente.
— Avise o pessoal de lá que, já que ele chegou, tudo deve ser feito de acordo com as regras da empresa.
— Que ele veja exatamente o estado em que a Eixo&Forma Engenharia & Construção se encontra hoje. Não quero que deem nenhum tratamento especial ou facilidade só por ele estar ligado a mim.
— Quero ver qual é a sua real capacidade e flexibilidade.
— Sim, Sr. Barreto, compreendido.
Odilon assentiu prontamente:
— Já deixamos as instruções claras. Eles o tratarão como a qualquer outro funcionário.
— Além disso, aqui está um relatório recente e resumido da Eixo&Forma Engenharia & Construção.
Odilon entregou o documento nas mãos de Jocelino.
— Os prejuízos continuam, a gerência está desestabilizada e alguns dos funcionários mais antigos já estão contatando caça-talentos em segredo...
Jocelino pegou o relatório, passou os olhos rapidamente e manteve um olhar indiferente.
A situação da Eixo&Forma Engenharia & Construção era ainda pior do que o relatório que ele havia mostrado a Rodrigo. Era literalmente uma batata quente.
Mas era exatamente esse o efeito que Jocelino desejava.
Se Rodrigo fosse capaz de estabilizar e até mesmo reverter um cenário como aquele, provaria que Jocelino não errara em seu julgamento e que o "investimento" valera a pena.
— Deixe que ele se vire sozinho por lá.
Jocelino largou o relatório de lado e pegou o próximo documento a ser aprovado. Sua voz não denunciava a menor emoção.
— Se ele é bom ou não, saberemos quando o colocarmos à prova.
— Você só precisa me reportar periodicamente os números principais e as movimentações mais importantes da filial. De resto, não interfira.
Odilon saiu do escritório e fechou a porta suavemente.
Jocelino pousou a caneta, encostou-se na ampla cadeira de couro e voltou o olhar para a floresta de arranha-céus lá fora e para a silhueta das montanhas ao longe.
Ele não sabia até onde Rodrigo conseguiria chegar, nem qual seria o desfecho daquela "aposta".
Se Rodrigo tivesse fibra e conseguisse se reerguer por conta própria, naturalmente não teria mais motivos para ir atrás de Aeliana.
E, se um dia algum imprevisto acontecesse, Aeliana pelo menos teria alguém para ajudá-la.
Quanto ao destino da Eixo&Forma Engenharia & Construção ou se Rodrigo alcançaria o sucesso ou o fracasso... Para Jocelino, era apenas uma peça secundária em um grande tabuleiro de xadrez. Se desse certo, ótimo; se não, também não faria o menor estrago.
O verdadeiro jogo que lhe importava nunca esteve lá.
No dia seguinte, exatamente às nove da manhã, Rodrigo pisou no prédio comercial em Nova Aurora.
O edifício não era novo; tinha mais de dez anos de construção. A fachada de vidro, tão comum em prédios corporativos, parecia um pouco opaca sob a luz da manhã.
A Eixo&Forma Engenharia & Construção ocupava todo o oitavo andar. A logomarca da empresa estava bem visível no painel indicativo do elevador, mas a fonte e o design já pareciam ultrapassados, transmitindo a aura de uma firma de comércio antiquada, totalmente fora de sintonia com as startups de tecnologia modernas da região.

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