Em seguida, abriu a pasta com os documentos da Eixo&Forma Engenharia & Construção, passando os olhos pelos relatórios de prejuízos.
Uma empresa do Grupo Barreto...
Em Nova Aurora...
Transformar o déficit em lucro...
Esses termos ecoavam repetidamente em sua mente. Apesar de ainda não ter certeza se aceitaria o projeto, pelos velhos hábitos enraizados, Rodrigo já havia iniciado um verdadeiro brainstorming mental no segundo em que viu os dados.
Ele não era um novato inexperiente, nem seria ingênuo a ponto de pensar que aquilo era um milagre que caiu do céu.
As palavras de Jocelino foram cristalinas: era um negócio, a sua "chance" de provar o seu valor.
Se tivesse sucesso, seria como agarrar uma boia salva-vidas e, quem sabe, sair do lamaçal. Se falhasse, apodreceria ali para sempre, sem chance de reabilitação.
Risco e oportunidade sempre andam de mãos dadas.
Mas, pelo menos, agora havia um caminho.
Nestes meses na sua cidade natal, Rodrigo tentara encontrar uma saída, mas naquele lugar pequeno, carregando o peso de dois doentes debilitados e enfrentando a hostilidade e a fofoca que permeavam o ambiente, era praticamente impossível ter esperança.
A oferta de Jocelino poderia muito bem ser uma armadilha, mas, ao menos, era algo pelo qual valeria a pena arriscar tudo.
Era o tipo de situação que deixaria Henrique feliz, mas, por algum motivo inexplicável, Rodrigo não conseguia sentir alegria.
Um turbilhão de emoções conflitantes se formava em seu peito.
Ele deveria estar feliz?
Provavelmente. Afinal, conhecendo Jocelino, se ele realmente quisesse apenas arruiná-lo, jamais usaria uma das empresas do próprio grupo como piada.
Logo, aquela seria uma excelente oportunidade de apaziguar as coisas com a Aeliana.
Mas bastava lembrar do casal que o aguardava em casa, e aquela minúscula faísca de esperança que se acendera parecia ser afogada por um balde de água fria, oscilando até quase apagar.
Rodrigo travou por um segundo, franzindo a testa imperceptivelmente enquanto seu estômago revirava.
Respirou fundo, controlando o enjoo, e entrou no apartamento.
O lugar de dois quartos pequenos era mal iluminado.
A sala estava uma bagunça total, sem espaço nem para pôr o pé no chão.
Embalagens sujas de quentinhas e potes de macarrão instantâneo amontoavam-se sobre a mesinha de centro, com restos de molho ressecado, atraindo moscas que zumbiam ao redor sem trégua.
Guardanapos engordurados, cotonetes usados e caixas vazias de remédio cobriam o piso.
Daniela estava largada na única parte relativamente limpa do sofá velho. Fixada na TV, prestava total atenção na tela, segurando um punhado de amendoins na casca. O "crac-crac" das cascas soava pela sala, e ela as cuspia diretamente no chão, já formando um pequeno monte a seus pés.
Ao lado dela, Gustavo estava acomodado na cadeira de rodas, coberto com uma manta fina e desbotada de tantas lavagens. Mantinha os olhos fechados, a cabeça pendendo para o lado, inerte.

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