Um longo silêncio se instalou no reservado do café.
O café já estava frio, e a rua lá fora continuava com seu aspecto acinzentado.
Rodrigo mantinha a cabeça baixa, com as mãos entrelaçadas tão forte que os nós dos dedos ficaram brancos.
As dificuldades dos últimos três meses passaram num flash pela sua mente.
O estado debilitado de Gustavo, os surtos de Felipe na clínica...
Jocelino não o apressou, apenas aguardou em silêncio.
Sabia que o peixe havia mordido a isca; o resto era apenas uma questão de tempo para puxar a linha.
Não se sabe quanto tempo se passou até que Rodrigo finalmente levantasse a cabeça.
Seus olhos estavam vermelhos e cheios de sangue, mas aquela hesitação vaga no olhar começou a desaparecer, sendo substituída por uma clareza de quem estava pronto para queimar as pontes e seguir em frente.
Rodrigo falou com a voz rouca:
— Sobre isso... eu entendi.
— Mas você sabe que não é algo pequeno. Preciso de um tempo para pensar.
— Além disso... preciso voltar e conversar com eles.
Esse "eles", naturalmente, referia-se a Daniela e Gustavo.
Ao proferir a palavra, os cantos da boca de Rodrigo se curvaram ligeiramente para baixo.
Ele sabia que, considerando o estado e o raciocínio atual dos dois, dificilmente dariam alguma opinião construtiva. Se soubessem que havia sido Jocelino quem o procurou, provavelmente fariam exigências absurdas.
Contudo, tanto pela emoção quanto pela razão, eles eram seus pais.
E se ele fosse embora, seria impossível não levá-los junto. Portanto, decidindo partir ou não, de qualquer forma precisava avisá-los com antecedência.
Jocelino continuava observando-o em silêncio.
Ele se virou, caminhou com passos longos até o caixa para pagar a conta e, sem olhar para trás, empurrou a porta e saiu da cafeteria.
Sua silhueta reta e imponente desapareceu rapidamente sob o brilho intenso do sol lá fora, como se nunca tivesse estado ali. Restou apenas a pasta sobre a mesa, o cartão e o ar saturado com o aroma amargo do café e o peso da decisão.
Rodrigo permaneceu sozinho, mantendo a postura de antes, sem tocar no cartão de imediato. Ele ficou encarando a porta por onde Jocelino saíra e, em seguida, olhou para a mesa, os olhos carregando uma complexidade indecifrável.
A luz lá fora estava forte e entrava na diagonal pelo vidro, pintando um tom quente e brilhante sobre a madeira rústica da mesa, iluminando as partículas de poeira suspensas no ar.
A claridade também banhou seu corpo, criando um jogo de luz e sombra em seu rosto.
Metade na claridade, metade mergulhado nas sombras, delineando sua feição mais magra, mas ainda altiva.
...
Rodrigo ficou sentado na cafeteria por um longo tempo, e só se mexeu quando o café havia perdido todo e qualquer traço de calor.
Talvez por estar tanto tempo na mesma posição, seus movimentos foram rígidos. Ele pegou o cartão de visitas, que exibia apenas um número de telefone, e esfregou a superfície lisa inconscientemente, sentindo o relevo sutil dos números contra a ponta do dedo.

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