Rodrigo deu alguns passos rápidos em direção ao carro. Havia uma leve pressa, imperceptível à primeira vista. Contudo, quando parou ao lado do veículo, o pânico e a fúria em seu rosto já haviam sido brutalmente reprimidos.
Ele respirou fundo e foi direto ao ponto, sem formalidades.
— A que devo a visita, Sr. Barreto, Sr. Barreto?
Ele fez uma pausa, varrendo o vidro do carro com um olhar afiado, tentando decifrar a expressão de quem estava dentro.
— Por acaso... a Daniela ou o Gustavo foram procurar a Aeliana de novo?
— Que tipo de confusão eles armaram dessa vez?
Rodrigo sequer usou os termos "minha mãe" ou "meu pai", optando por chamá-los pelo nome. A distância e o cansaço em sua voz eram evidentes.
Jocelino, sentado no banco do motorista, não respondeu de imediato.
Seu olhar profundo e sereno pousou no rosto de Rodrigo, captando cada flutuação emocional e a mudança de tom em uma fração de segundos.
Após um momento de escrutínio, Jocelino balançou a cabeça de forma quase imperceptível.
— Não.
Ele abriu levemente os lábios e sua voz soou calma, sem grandes alterações de humor, articulando a palavra claramente.
— Eu não vim hoje por causa da Daniela ou do Gustavo. E não, eles não armaram nenhuma confusão.
— Não foi por eles?
Rodrigo franziu a testa ainda mais, com uma expressão inegável de confusão e desconfiança. Ele simplesmente não conseguia imaginar qual outro motivo levaria Jocelino a dirigir tantos quilômetros até aquele fim de mundo, a não ser os pais problemáticos.
— Então o que traz o Sr. Barreto aqui?
Ele curvou os lábios em um sorriso auto-depreciativo.
— Não me diga que o Sr. Barreto, no meio de sua agenda lotada, de repente se lembrou de mim, seu insignificante "ex-cunhado", e dirigiu centenas de quilômetros até essa roça só para colocar o papo em dia?
Rodrigo e Jocelino já tinham uma aparência e postura que se destacavam naturalmente.
Um, mesmo na miséria, ainda carregava a aura de um antigo executivo; o outro, mesmo dentro do carro, exalava uma presença avassaladora. Com o carro espetacular em forte contraste com as casinhas humildes, foi o suficiente para jogar uma pedra naquele lugarejo pacato, criando ondas e mais ondas de fofoca e curiosidade.
Causando um pequeno alvoroço.
Jocelino percebeu todos os olhares indiscretos e murmúrios, mas agiu como se não tivesse ouvido nada.
Ele desviou o olhar e voltou-se para Rodrigo, cujas sobrancelhas estavam cada vez mais franzidas e o rosto cada vez mais sombrio. Em um tom calmo, porém carregado de uma certeza inquestionável, ele disse:
— Este não parece ser o lugar ideal para conversarmos.
— De fato, aqui não é um bom lugar para conversar.
— Lembro que tem uma cafeteria logo ali na esquina, o ambiente é bem tranquilo. Que tal mudarmos de lugar?

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