Segundo as informações descobertas por Odilon Almeida, a família de Rodrigo havia se estabelecido lá.
O carro acelerava pela rodovia, afastando-se aos poucos da metrópole agitada. A paisagem pela janela mudou de arranha-céus para campos e pequenos vilarejos.
Após mais de três horas de viagem, finalmente chegaram à cidade natal da família Oliveira.
Seguindo o endereço, o veículo parou diante de um prédio residencial acinzentado e visivelmente antigo.
O lugar claramente ficava na parte velha da cidade. Os edifícios eram baixos, os fios elétricos formavam um emaranhado caótico e havia entulhos espalhados pelo chão. Era um contraste brutal com os ambientes que Jocelino costumava frequentar.
Jocelino não saiu do carro; apenas abaixou o vidro e esperou em silêncio.
Pouco tempo depois, um homem magro vestindo um uniforme de trabalho azul-escuro apareceu.
De cabeça baixa e segurando uma sacola plástica, ele dobrou a esquina de um beco próximo.
O sol forte projetava uma sombra solitária ao seu redor.
O homem aparentava ter pouco mais de trinta anos. Tinha sobrancelhas marcantes e um nariz reto. Seu rosto, que outrora fora bonito, agora havia perdido o brilho, consumido por traços rígidos demais e pelas olheiras profundas de exaustão.
O uniforme estava desbotado de tantas lavagens. Seus passos eram arrastados, mas os ombros e o pescoço mantinham-se tensos por hábito. A coluna permanecia reta, como uma árvore que verga, mas não quebra, resistindo silenciosamente ao peso da vida, resistindo silenciosamente a algo.
Era Rodrigo.
Rodrigo havia acabado de terminar o turno da noite como separador em um centro logístico próximo e estava prestes a subir para preparar algo para os pais comerem, antes de correr para seu próximo emprego temporário.
Ele deu uma olhada rápida na rua por força do hábito. Quando seus olhos encontraram aquele carro de luxo preto, completamente deslocado do cenário, ele parou de repente. Franziu a testa de imediato, e um pressentimento ruim atravessou seu coração.
Aquele carro...
Aquela marca...
Era impossível que pertencesse a alguém da cidade.
Ele levantou a cabeça devagar e, através da janela aberta, encontrou um par de olhos profundos e calmos, mas que carregavam uma pressão invisível.
Será que... Daniela tinha ido atrás de Aeliana pelas suas costas de novo?
Ou talvez Gustavo tivesse feito outra idiotice?
Não fazia sentido. Desde que voltaram para a cidade natal, ele havia assumido totalmente as rédeas da casa.
Dos três filhos, um estava morto e o outro no hospital psiquiátrico. Rodrigo era o único em quem podiam confiar. Por causa disso, Daniela já não ousava insultá-lo e agredi-lo fisicamente como antes; ela tinha se acalmado bastante.
Ele até chegou a pensar que ela finalmente tinha aprendido a lição, mas agora assim vendo...
Parecia que haviam arrumado outro problema para ele.
Uma frustração e impotência indescritíveis subiram à sua mente. A expressão de Rodrigo fechou-se no mesmo instante, e seu rosto, que já estava pálido, pareceu ainda mais rígido e gelado.
Ele nunca tivera um gênio muito fácil e, ultimamente, sendo constantemente esmagado pelas dificuldades e pelo peso dos pais, estava à beira de um colapso. Ver Jocelino ali foi como riscar um fósforo na pólvora.

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