— Vai, confessa. Vocês devem flertar o tempo todo com esses olhares, não é?
Aline sentiu o rosto esquentar com aquela provocação tão direta. Fez menção de dar um tapinha em Aeliana:
— Ah! Aeliana! O que você está dizendo?! Que história é essa de flertar com o olhar? Que horror!
Mas o sorriso doce e apaixonado em seus olhos era impossível de esconder. Ela lançou um olhar reprovador para Aeliana, e sua voz diminuiu de volume, carregada de timidez:
— A gente só... é que, com o tempo que passamos juntos, a gente acaba se entendendo naturalmente.
— Ele parece todo sério, mas na verdade é muito atencioso e entende perfeitamente o meu jeito.
— Lá na sala, quando vi que a forma como ele olhava para você e para o Jocelino estava um pouco diferente, puxei a manga dele na hora. Ele entendeu no mesmo instante. E viu como ele agiu bem depois? Não deixou passar nada!
Aline, embora estivesse com um pouco de vergonha da provocação da amiga, não agiu com a hesitação típica das outras garotas. Pelo contrário, admitiu abertamente, com os olhos brilhando.
— Aeliana, você não imagina... quando minha mãe marcou aquele encontro arranjado para nós.
— No começo, eu estava morrendo de medo de que ele fosse um rato de biblioteca ou viciado em trabalho, alguém difícil de lidar. Mas descobri que ele tem um temperamento maravilhoso. É super paciente, sabe cuidar de mim, e nós pensamos de maneira muito parecida em várias coisas.
— Senão... eu nunca teria aceitado o pedido de casamento dele tão rápido.
— É, nota dez para ele. — Aeliana sorriu e assentiu, genuinamente feliz pela amiga. — Parece que você realmente encontrou a pessoa certa. Parabéns, Aline.
— Obrigada, Aeliana!
Aline abraçou o braço de Aeliana com alegria, mas logo se lembrou do machucado da amiga e soltou depressa, perguntando com preocupação:
— Ah, e o seu ferimento, está mesmo tudo bem? Não vá forçar a barra, hein.
— Está tudo bem, de verdade. Fique tranquila. — Aeliana deu um tapinha na mão dela. — Vamos voltar, não vamos deixá-los esperando muito tempo.
As duas trocaram um sorriso, ajeitaram suas expressões e voltaram para a sala de estar, uma atrás da outra.
Jocelino olhou para Aeliana, viu a expectativa nos olhos dela e concordou:
— Tudo bem, vou pedir para o Benício preparar tudo.
Afinal, os últimos dias que passaram na Vila das Nuvens Cinzentas tinham sido muito exaustivos e sufocantes.
Aeliana estava lidando com muitas responsabilidades, precisava sustentar três identidades diferentes e viver sempre escondida. Jocelino sentia muita pena dela e queria que, ao voltarem para o Vale Tropical, ela pudesse relaxar um pouco e aproveitar momentos de tranquilidade.
A mansão da família Barreto tinha uma estrutura impecável e os funcionários eram extremamente eficientes.
Quando Benício Almeida ouviu que os jovens queriam fazer um churrasco, imediatamente mobilizou sua equipe.
Em menos de vinte minutos, em um dos terraços do jardim, equipamentos profissionais e diversos tipos de comida já estavam perfeitamente organizados.
Sofás e cadeiras confortáveis de área externa foram arranjados com bom gosto, e eles até tiveram o cuidado de pendurar algumas luzes amarelas, criando uma atmosfera incrível.

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