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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1715

E Aline, como filha da irmã mais nova de Heloisa, não tinha uma ligação de sangue direta com Eduardo. Porém, desde pequenas, Heloisa e Fernanda sempre foram muito unidas, frequentando a casa da família Barreto com frequência. Pode-se dizer que Aline também cresceu sob os olhos de Eduardo.

Talvez por Aline ser uma menina, bonita e fofa desde criança, com uma personalidade alegre e sempre com uma palavra doce na ponta da língua — ao contrário de Jocelino, que era sério, precoce e calado desde pequeno —, Eduardo acabou desenvolvendo um carinho e uma permissividade especial por essa neta de consideração.

Quando Aline trouxe seu noivo para conhecê-los, era natural que ele quisesse avaliar o rapaz com cuidado em nome dela.

Aproveitando uma pausa na conversa entre Frederico e Eduardo, Aeliana lançou um olhar discreto para Aline, que estava sentada à sua frente.

O olhar perguntava se ela havia avisado Frederico antes de chegarem, para que ele não deixasse escapar nada.

Eduardo era um homem extremamente perspicaz. Se eles tivessem conseguido esconder a situação com tanto custo, não poderiam deixar que ele descobrisse a verdade numa conversa casual.

Aline, que estava pegando o copo para beber água, percebeu o olhar de Aeliana e quase engasgou. Ela abaixou o copo rapidamente, tossiu um pouco para disfarçar e, ao levantar a cabeça, piscou rapidamente para Aeliana.

Ao ver aquele sinal, Aeliana sentiu a última gota de preocupação desaparecer. Relaxada, ela esperou mais alguns instantes antes de inventar uma desculpa:

— Continuem a conversa, vou dar um pulinho no lavabo.

— Eu também vou! Aproveito para retocar a maquiagem! — Aline entendeu o recado quase de imediato e levantou-se logo atrás dela.

As duas saíram da sala de estar uma depois da outra, indo em direção a um canto mais reservado no fim do corredor.

Depois de confirmar que não havia ninguém por perto, Aeliana parou de andar.

Aline apressou o passo e parou ao lado dela.

As duas se olharam, não conseguiram segurar a expressão e deram uma risadinha cúmplice.

Aline foi a primeira a falar:

— Aeliana, você me chamou aqui por causa daquela história do hospital, né?

— Pode ficar tranquila.

— Eu já dei um toque no Frederico lá na sala. Ele não vai abrir a boca sobre isso.

Afinal, foi sua própria mãe quem escolheu o noivo para ela. E, de qualquer forma, uma mãe nunca colocaria a própria filha em uma enrascada.

— Deu para perceber.

Aeliana encostou-se na parede, cruzou os braços e olhou para ela com um ar de tranquilidade. Tinha um sorriso provocador nos lábios:

— Desde que ele passou pela porta, não tirou os olhos de você por mais do que alguns segundos.

— Quando você fala, ele escuta em silêncio. Quando você passa alguma coisa para ele, ele pega na mesma hora. Agora há pouco, quando você estava tagarelando e enchendo ele de elogios, a ponta da orelha dele ficou vermelha de vergonha.

— Ele é um cara sensato, mas não parece ser careta. E combina perfeitamente com essa sua personalidade elétrica.

Ela fez uma pausa. Seu olhar se encheu de mais curiosidade e brincadeira. Inclinou-se um pouco mais para frente e abaixou o tom de voz:

— E além disso... aquela troca de olhares entre vocês dois foi muito interessante, viu?

— Um olhar seu, e ele já entendeu tudo? Essa sintonia não surge do nada sem um pouco de experiência prática.

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