Mesmo para um assunto pequeno como enviar Amália ao hospital, ele preferia esperar que tudo estivesse resolvido e ir escoltá-la pessoalmente para ficar tranquilo, com receio de que houvesse mais algum contratempo.
Portanto, Amália e o bebê só podiam ser deixados temporariamente dentro do carro para se abrigarem do vento enquanto aguardavam o desfecho da situação.
Enquanto Leonardo liderava a busca pelo paradeiro de Jocelino e os outros, Amália e o bebê permaneceram ali acompanhando as buscas.
Leonardo se virou bruscamente, seguindo o som do choro. Seus olhos injetados de sangue fixaram-se na van de onde vinha o som.
Seu peito arfava intensamente. A mão que segurava a arma estava tão apertada que os nós dos dedos estavam brancos, parecendo que atiraria acidentalmente a qualquer momento.
Os guarda-costas ao redor ficaram pálidos de pavor. Institivamente se posicionaram em frente ao carro, mas sem ousar bloqueá-lo de verdade, apenas suportando estoicamente o olhar quase homicida de Leonardo.
— Chefe...
Um capanga um pouco mais corajoso abriu a boca com cautela, a voz tremendo.
— A menininha... talvez tenha se assustado com os tiros, ou... a brisa esteja desconfortável para ela... Devemos...
Leonardo não disse nada. Apenas continuou encarando a porta do carro. Após vários segundos, pareceu reprimir à força um impulso violento.
Ele jogou a arma no chão, e toda a aura agressiva desapareceu, como se ele tivesse voltado a ser o Sr. Marques enigmático e insondável de antes.
Leonardo caminhou a passos largos até o carro e abriu a porta com firmeza.
Lá dentro, Amália ainda estava inconsciente, acomodada no assento espaçoso de trás.
Ficou em silêncio por um momento. Estendeu os braços e, com um movimento um pouco rígido e até um tanto desajeitado, pegou a pequena bebê no colo.
O corpinho de uma recém-nascida era inacreditavelmente mole.
Os capangas se entreolharam, mas nenhum se atreveu a dizer uma palavra. Apenas observavam Leonardo com tensão.
A bebê pareceu sentir uma espécie de pressão. O choro parou por um instante e ela abriu os olhos turvos, olhando confusa para a figura alta e sombria acima dela. Talvez não se acostumando ao abraço frio e ao toque duro dele, a bebê se retorceu em seus braços.
O choro hesitou e a boquinha fez um bico, como se estivesse prestes a chorar de novo. Mas, por algum motivo inexplicável, quando o rostinho dela encostou no peito de Leonardo...
Talvez por ter sentido a leve pulsação de um batimento cardíaco ou um pouco de calor humano, o choro começou a diminuir gradualmente. Transformou-se em soluços intermitentes e ela até se aninhou inconscientemente contra o corpo dele, como se estivesse buscando uma fonte de calor.

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