Wallace assentiu imediatamente, com o rosto sombrio.
— O barco já está em velocidade máxima e, antes do amanhecer, entraremos em águas internacionais.
— Quando chegarmos lá, teremos nossa equipe nos esperando para trocar de embarcação e retornar às outras regiões. Por mais longo que seja o braço do Leonardo, ele não ousará agir tão abertamente em alto mar e perto das outras áreas.
— Sim.
Jocelino acenou com a cabeça. O seu olhar foi mais uma vez atraído para a Vila das Nuvens Cinzentas, que se distanciava cada vez mais, e seus olhos ficaram frios.
— Essa conta ficou registrada.
— Eles vão pagar por isso com juros, mais cedo ou mais tarde.
— É verdade, essa conta terá que ser acertada mais cedo ou mais tarde.
A voz de Aeliana soou ao seu lado. Ela segurou com firmeza a mão de Jocelino. As mãos de ambos estavam um pouco geladas devido ao vento noturno, mas o calor transmitido pelo toque das palmas era extraordinariamente ardente e determinado.
Jocelino virou-se e olhou para Aeliana. Seus olhares se encontraram e, sem precisarem de palavras, a determinação e a cumplicidade nos olhos um do outro já diziam tudo.
Ele deu uma última olhada naquela terra que estava prestes a desaparecer de vista, com uma voz grave e cheia de força, como se fizesse um juramento.
— O nosso verdadeiro território é em outros lugares. Lá é a nossa base. O Leonardo e aquele misterioso 'Senhor' que se esconde nas sombras... que nos aguardem.
— Em breve nos veremos de novo.
O vento do mar uivava, agitando as roupas deles, enquanto o barco de pesca cortava as ondas na escuridão anterior ao amanhecer, avançando de forma inabalável em direção ao lar.
Na margem, as buscas de Leonardo duraram a noite inteira.
— Sr. Marques... nossos homens já vasculharam as águas ao redor inteiras...
— E não, não encontramos nenhum sinal deles...
O capanga de Leonardo estava encharcado. Sob o olhar severo de seu chefe, ele reuniu coragem para dar o relatório.
— Mesmo que fujam para os confins da Terra, eu vou arrancar vocês de onde estiverem! Vou cortá-los em pedaços!
Os ecos estridentes dos tiros fizeram os capangas ao redor se encolherem, não ousando nem mesmo respirar fundo.
Foi no meio desse silêncio sepulcral que um choro fraco de bebê soou abruptamente nas proximidades.
Uá! Uá!
O choro começou fraco. Parecendo assustado com o barulho dos tiros, parou por um instante e depois se tornou mais alto e sofrido, como se reclamasse do susto repentino e do desconforto.
O som se destacava de forma estridente naquela noite silenciosa.
Os subordinados se entreolharam, mas nenhum ousou fazer perguntas.
Eles sabiam perfeitamente que Jocelino e Aeliana haviam escapado bem debaixo do nariz do Sr. Marques. Era certo que o patrão não teria como se justificar com o Senhor. Como o Sr. Marques estava furioso, ninguém queria ser o alvo do seu desabafo naquele momento.
Após ter sido enganado por Aeliana, que se disfarçara de faxineira para agir de dentro para fora e sequestrar Amália, era óbvio que Leonardo não confiava em mais ninguém.

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