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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1646

Depois de um longo tempo, ela desviou o olhar e voltou a encarar Amália, que estava jogada no chão com o rosto manchado de lágrimas. Com um tom neutro, ela falou, como se relatasse algo alheio a ela mesma:

— Sabe de uma coisa?

— Henrique Oliveira morreu.

O choro de Amália cessou de forma abrupta, como se alguém tivesse agarrado seu pescoço com força. Ela ergueu a cabeça subitamente; seus olhos se arregalaram de choque e suas pupilas se contraíram violentamente. Toda a cor fugiu de seu rosto. Com os lábios trêmulos, levou um tempo até conseguir espremer uma única palavra:

— ... Quem?

— Henrique.

Aeliana repetiu, com os olhos fixos no rosto de Amália, para não perder sequer a menor mudança de expressão.

— Pouco tempo atrás, ele morreu.

— Morreu de Aids.

— O estado do corpo foi terrível.

— E você, como a irmãzinha que ele mais adorava em vida, nem mesmo compareceu ao funeral dele.

O corpo de Amália tremeu de maneira quase imperceptível. Seu olhar tornou-se imediatamente apavorado, desviando-se inconscientemente dos olhos de Aeliana. Sua voz ficou aguda, devido ao pânico e à culpa:

— Por... Por que você está me contando isso?

— Eu... Eu não sei de nada! Eu não sei de absolutamente nada! Se ele morreu ou não, o que isso tem a ver comigo!

— É mesmo?

Aeliana olhou para aquela postura desesperada de se isentar de culpa, um brilho gélido passou por seus olhos, mas seu tom continuou neutro.

— Eu só achei que, como vocês se davam tão bem quando eram crianças...

— Ele costumava mimar muito você, a "irmãzinha", e sempre guardava as melhores coisas para você. Como ele morreu, pensei que você gostaria de saber.

— Sim, você tem razão, foi tudo culpa dele. Cada um colhe o que planta. Eu só te avisei, sem nenhuma segunda intenção.

Sem segunda intenção? Como isso não teria segunda intenção!

Amália gritava freneticamente em sua própria mente.

Quanto mais calma Aeliana parecia, e quanto mais dizia "sem segunda intenção", mais o pânico crescia selvagemente no íntimo de Amália. Ela sentia que Aeliana estava deliberadamente lhe dizendo aquilo como uma ameaça.

Henrique estava morto, a família Oliveira havia falido, todos aqueles que haviam prejudicado Aeliana no passado não tiveram um final feliz, um por um!

E agora Aeliana mencionava de propósito a morte trágica de Henrique na sua frente, o que era isso senão uma ameaça?

O que era isso senão insinuar que ela seria a próxima?

O medo, como uma trepadeira em crescimento acelerado, enrolou-se ferozmente no coração de Amália, quase a impedindo de respirar.

O terror abissal esmagou instantaneamente os nervos já fragilizados da garota. Ela olhou para o rosto perfeitamente plácido de Aeliana, e era como se visse a própria Morte acenando para ela.

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