— Não... Não é verdade! Você está mentindo!
— Eu não sei do que você está falando!
Amália gritou bruscamente. Sua voz se tornou estridente e perfurante devido ao extremo medo e ao colapso emocional. Ela balançava a cabeça desesperadamente, enquanto as lágrimas escorriam incontroláveis.
— Eu não sei! Eu não sei de nada!
— Que Leonardo, que troca, eu não entendo absolutamente nada do que você está dizendo!
Amália não sabia qual era o objetivo de Aeliana ao sequestrá-la, mas agora havia uma criança em seu ventre. Fosse como fosse, ela precisava proteger a própria vida e a de seu bebê.
— É mesmo?
Aeliana a interrompeu friamente, sem o menor traço de calor em seu olhar.
— Se você realmente não sabe, então por que está tão apavorada agora?
— E tão culpada? Por que treme tanto só de ouvir o nome "Leonardo"?
— Ah!
— Cale a boca! Cale essa boca!
Amália entrou em colapso total. Cada palavra de Aeliana era como uma faca afiada, rasgando implacavelmente o medo mais profundo em seu coração e a verdade que ela sempre teve pavor de enfrentar.
Ela começou a se debater freneticamente, chutando e socando com todas as forças, tentando se afastar de Aeliana, como se a outra fosse um demônio saído do inferno para cobrar sua alma. Seus gritos eram tão estridentes que quase rasgaram sua garganta.
— Socorro! Assassina!
— Pai! Pai, me salva!
— Sofia! Alguém me ajude! Por favor, alguém!
— Ela é louca! Ela quer me matar! Ela vai me matar!
Aeliana a observava em silêncio. Não havia nenhuma expressão em seu rosto, nem raiva, nem a satisfação da vingança. Seu olhar era assustadoramente sereno, como se olhasse para uma estranha que não tivesse nada a ver com ela.
Ela olhou para Aeliana, com os olhos repletos de súplica e terror, implorando com a voz rouca:
— Aeliana... Eu sei que errei, eu realmente sei que errei!
— Eu estava errada no passado. Eu era jovem e inconsequente, roubei o que era seu e ainda... ainda ajudei eles a te maltratarem... Mas eu já fui punida por isso!
— Olha para mim, não me restou nada. Não tenho mais casa, só pude me esconder aqui na Vila das Nuvens Cinzentas e viver como um rato... Me deixa em paz, por favor, sim?
— Eu te imploro, em nome do... em nome do fato de termos sido irmãs por um tempo...
Aeliana ouviu seus choros e lamentos em silêncio. O rosto permanecia sem expressão, mas o sorriso sutil e irônico no canto da boca se intensificou um pouco.
Terem sido irmãs?
Ouvir essas palavras da boca de Amália era o cúmulo da ironia.
Ela não respondeu às súplicas de Amália. Em vez disso, endireitou-se lentamente, voltando o olhar para a escuridão do mar do lado de fora da cabine, como se olhasse para um lugar distante através da densa noite.

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