Lembrando-se das palavras do Sr. Marques de instantes antes, ele não ousou ser negligente e imediatamente pegou o telefone de novo. Discou para o número pessoal do Sr. Almeida e transmitiu as instruções de Leonardo exatamente como haviam sido dadas.
Depois de desligar, mobilizou rapidamente o melhor grupo de homens da família Saramago para seguir em segredo até os arredores da Delegacia de Polícia Metropolitana Atlântica e montar vigilância, garantindo que nada desse errado.
Depois de terminar tudo isso, o pai de Fabíola sentiu um leve alívio, mas seu coração continuava apreensivo.
Ele sabia que a captura de Jocelino era não apenas um grande mérito, mas também um verdadeiro campo minado.
Até que Leonardo assumisse tudo pessoalmente, ele tinha que garantir que aquela “moeda de troca” permanecesse intacta, caso contrário... só de pensar nos métodos de Leonardo, o pai de Fabíola estremeceu involuntariamente.
Ele pegou a xícara de chá já frio, tomou um gole para se acalmar e voltou o olhar para a escuridão pesada da noite do lado de fora da janela.
Agora, tudo o que podia fazer era esperar e rezar para que nenhum problema surgisse naquele momento crítico.
Enquanto o pai de Fabíola corria com os preparativos, Leonardo também não ficou parado.
Depois de encerrar a ligação com o pai de Fabíola, Leonardo não guardou o celular de imediato.
Havia apenas um abajur aceso no escritório. A luz amarelada iluminava metade do seu rosto de forma instável, tornando a cicatriz ainda mais sinistra na sombra.
Lá fora, a noite era escura como tinta. Havia apenas algumas luzes esparsas à distância, parecendo olhos de feras à espreita.
Ele se recostou na cadeira, tamborilando os dedos inconscientemente sobre a mesa lisa de mogno, produzindo um som abafado e constante.
Capturar Jocelino era, sem dúvida, a melhor notícia dos últimos tempos.
Mas, passada a euforia inicial, a calma e o cálculo voltaram a dominar sua mente.
A captura de Jocelino era apenas o primeiro passo. A questão era como usar bem essa carta, como evitar qualquer imprevisto e, principalmente... como lidar com a igualmente problemática companheira de Jocelino.
Aeliana também não era alguém fácil de enfrentar.
Sem mencionar que, por trás deles, ainda existia Wallace Rodrigues.
Aquele também era um verdadeiro pesadelo.
Depois de refletir por um momento, Leonardo decidiu ligar para o chefão.
Quando a chamada foi atendida, o som de fundo era anormalmente silencioso. Não havia o menor ruído, como se o sinal tivesse passado por algum tipo de tratamento especial.
— Leonardo?
— Jocelino?
— Ele está na Vila das Nuvens Cinzentas agora? E foi capturado por vocês?
— Como isso aconteceu? Conte os detalhes.
Leonardo percebeu aquela rara alteração emocional no tom do chefe. Sentindo-se mais seguro, relatou imediatamente a situação de forma clara e concisa.
Contou desde a suspeita em torno de “Narciso”, até a armadilha usada para capturá-lo, passando pela forma como ele mesmo confirmou a identidade por meio de certos detalhes, chegando por fim ao teste de DNA que a família Saramago estava providenciando e à vigilância rigorosa sob a qual Jocelino se encontrava.
— Excelente.
Ao ouvir tudo, a satisfação na voz do chefão tornou-se ainda mais evidente, com até um toque de divertimento.
— Eu até imaginava que, com o seu recuo para a Vila das Nuvens Cinzentas, nossos planos teriam de ser adiados temporariamente e que precisaríamos pensar no longo prazo.
— Nunca imaginei que ele fosse tão impaciente a ponto de se entregar de bandeja. Isso certamente nos poupou muito trabalho.
— Sim, senhor. Foi realmente uma surpresa maravilhosa.

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