— Eu já lidei com esse Jocelino. Ele é o mais escorregadio e astuto de todos.
— Nas vezes anteriores, quando eu estava prestes a pegá-lo, ele sempre encontrava uma brecha para escapar. Desta vez, não podemos lhe dar absolutamente nenhuma chance.
Com alguém como Jocelino, era preciso redobrar a cautela.
— Deixe tudo muito bem avisado na delegacia. Sem a minha autorização expressa, ninguém.
— Não me importa que tipo de advogado apareça, que documentos apresente ou em nome de quem esteja falando. Não pensem em tirá-lo de lá.
— A vigilância deve ser redobrada. Fiquem de olhos bem abertos e não deixem passar o menor sinal de movimentação.
O pai de Fabíola sentiu o peito apertar do outro lado da linha. A empolgação que sentia antes foi apagada instantaneamente por um balde de água fria. Ele se endireitou na cadeira, e sua voz tornou-se extremamente séria.
— Pode ficar tranquilo, Sr. Marques. Eu entendi. Vou falar pessoalmente com o Sr. Almeida. Além disso, enviarei mais homens nossos para vigiar o perímetro. Garanto que nem uma mosca entra lá, muito menos alguém conseguirá tirá-lo de lá.
— Absolutamente nada vai dar errado.
— É bom mesmo que você cumpra o que está dizendo.
A voz de Leonardo não trazia emoção alguma, mas aquela pressão invisível fez a testa do pai de Fabíola suar levemente.
— Ainda tenho alguns assuntos para resolver aqui. Assim que terminar, farei uma “visita” pessoal a ele na delegacia.
— Até eu chegar, quero que ele permaneça lá, são e salvo, exatamente como está.
— Se houver o menor erro...
Ele não terminou a frase, mas a ameaça gelada era perfeitamente perceptível para o pai de Fabíola, mesmo através do telefone.
O pai de Fabíola quase conseguia ver os olhos sombrios de Leonardo e aquela cicatriz assustadora.
— De jeito nenhum.
— Sr. Marques, eu garanto com a minha própria vida. Vamos mantê-lo sob vigilância rígida até a sua chegada. — O pai de Fabíola se apressou em demonstrar determinação, a voz até mais alta por causa do nervosismo.
— Lembre-se das suas palavras.
O ar pareceu estagnar por um instante.
Se houvesse alguém do lado de fora dando apoio, Jocelino certamente encontraria uma brecha para escapar. Mas, se capturassem também os comparsas externos, ele queria ver como Jocelino fugiria.
— Ótimo. Fico feliz que tenha entendido.
— E, se for necessário...
— Ter algumas cartas extras na manga nunca é demais. Principalmente cartas capazes de manter Jocelino sob controle.
O tom de Leonardo era sombrio, carregado de uma crueldade quase brincalhona.
O pai de Fabíola captou instantaneamente a insinuação por trás daquelas palavras.
Se capturassem Aeliana, ela seria, sem dúvida, a corda mais letal no pescoço de Jocelino.
— Sim, senhor, eu entendi.
Depois de dizer tudo o que tinha a dizer, Leonardo desligou sem hesitar.
Ao ouvir o som da linha encerrada, o pai de Fabíola soltou um longo suspiro, percebendo que suas costas estavam cobertas por uma fina camada de suor frio.

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