Riscos e oportunidades sempre andam de mãos dadas.
Restava saber se aquela ida lhe traria sorte ou problemas.
Aeliana aproximou-se devagar, com as sobrancelhas levemente unidas:
— Se ela está com tanta pressa, duvido que seja apenas por causa da parceria.
— Talvez seja porque ela perdeu a pose ontem e está engasgada com isso. O mais provável é que queira virar o jogo o mais rápido possível, ou...
Ela fez uma pausa e ergueu os olhos para Jocelino:
— Ou, mais ainda, quer ter você na palma da mão dela o quanto antes. Tome muito cuidado lá.
— Eu sei.
Jocelino assentiu:
— Por coincidência, eu também preciso tirar mais informações dela sobre o Edivaldo e esse investidor de fora.
— Entendido. — Jocelino olhou para Aeliana.
— Como combinamos ontem, você vai se encontrar com a Fabíola, e eu e o Wallace vamos atrás de pistas sobre a Amália. Já que conseguimos contato na Thelxinoe do Litoral, talvez possamos usar isso para verificar se alguma grávida com as características da Amália deu entrada nos hospitais locais recentemente.
Aeliana tinha a mente clara.
— Além disso, vou manter contato com a Thelxinoe do Litoral. Já que eles estão de olho em mim, talvez possamos usar isso para rastrear algo deles também.
Com o plano traçado, os três não perderam mais tempo.
Jocelino precisava trocar de roupa para o encontro.
Aeliana, por sua vez, começou a preparar os disfarces para ela e Wallace saírem.
Antes de ele sair, Aeliana ajeitou a gravata de Jocelino. Seus dedos roçaram na lateral do pescoço dele. Ela o encarou com um misto de preocupação e um sorriso provocador.
— Sr. Porto, vá e volte rápido.
— E capriche no seu charme.
— Sra. Saramago, se queria me convidar para um café, poderia ter avisado com antecedência.
— Me chamar para sair assim, em cima da hora, foi muito corrido...
— Se meu sogro descobrir que deixei a Selena sozinha para vir vê-la, ele com certeza vai me dar uma bronca daquelas...
Enquanto reclamava, Narciso se acomodou no banco do passageiro de maneira um tanto desajeitada.
Fabíola ligou o carro, e o motor soltou um ronco grave.
As reclamações de Narciso no seu ouvido a deixaram um tanto irritada.
Ela lançou um olhar de soslaio para o homem ao seu lado.
Narciso estava sentado no assento baixo do esportivo, com a sua estrutura grande parecendo um pouco apertada. O terno caro que vestia ainda exalava aquela aura persistente de novo-rico, sem o caimento natural dos que já nascem em berço de ouro.
Seu rosto ainda mantinha a ansiedade de quem acabara de descer correndo as escadas, temendo ser repreendido pelo sogro. Seu olhar desviava frequentemente para a janela, como se ainda estivesse preocupado com a esposa de saúde frágil no hotel.
Que caso perdido... um verdadeiro capacho da esposa!

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