Aeliana soltou a respiração devagar:
— Só pode ser esse homem misterioso.
— Pelo visto, a organização por trás dele não está apenas focada em atuar de longe. Aqui na Vila das Nuvens Cinzentas, eles também estão usando grandes figurões locais, como a família Saramago, para estabelecer sua rede de negócios.
— Cassinos são o meio mais comum para lavagem de dinheiro, coleta de informações e controle de várias facções.
— Sendo assim, o irmão dela, Edivaldo, parece saber muito mais do que a Fabíola. — completou Wallace.
— Talvez esse Edivaldo seja o nosso ponto de entrada.
Jocelino assentiu:
— É o que eu também acho. A Fabíola pode ser mimada, mas não é totalmente burra. O fato de ela ter revelado tudo isso pode ser porque me acha um rico idiota que poderia virar a nova mina de ouro do pai dela.
— Por outro lado, ela provavelmente está inquieta com as atitudes estranhas do pai e do irmão recentemente. Talvez quisesse testar o meu limite ou garantir uma rota de fuga para si mesma. É uma oportunidade.
Aeliana refletiu:
— Então, você se aproximou dela de propósito para tentar chegar ao Edivaldo, ou a informações mais confidenciais através dela?
— Exato. Além disso, depois de hoje, o meu valor aos olhos dela provavelmente aumentou.
Os lábios de Jocelino se curvaram em um sorriso frio e calculista.
— Um novo-rico do país A que tem sorte, uma certa esperteza, que parece fácil de ser comprado com mulheres bonitas e dinheiro... é exatamente o tipo de parceiro que famílias como a dela adoram usar e controlar. Mas...
Ele se virou para Aeliana, com um tom que misturava firmeza e um pedido de desculpas:
— É só encenação, Aeliana. Você sabe.
Aeliana apertou a mão dele e balançou a cabeça suavemente:
— Eu sei. A questão é que a Fabíola não tem intenções simples. Você precisa tomar cuidado.
Na manhã seguinte, na suíte do hotel.
Aeliana estava organizando as informações obtidas na noite anterior, discutindo em voz baixa com Wallace sobre os próximos passos da investigação contra Amália e a família Saramago.
Jocelino estava no outro cômodo, usando um equipamento especial para se comunicar remotamente com Odilon Almeida, que havia ficado no Sítio das Colinas Azuis, resolvendo assuntos urgentes que precisavam de sua aprovação.
Foi então que o celular pertencente a “Narciso” tocou.
O nome que piscava na tela era inegavelmente Fabíola.
Jocelino e Aeliana trocaram um olhar. Ela ergueu ligeiramente a sobrancelha, com uma expressão de “eu já sabia”.
Jocelino fez um sinal para que ela fizesse silêncio, pigarreou para limpar a garganta, ajustou sua postura e só então atendeu a ligação.
— Alô? Sra. Saramago? Algum problema a essa hora da manhã?
— Sr. Porto, o sol nem esquentou direito ainda, acha mesmo cedo?

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