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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1313

Mas só isso não bastava. A Umbral Order estava cheia de charlatães e aproveitadores.

O estado de sua mãe era crítico, e ele não podia arriscar.

— Você é a famosa Dra. Ana da Umbral Order? — o olhar denso de Raimundo pousou no rosto de Aeliana.

— Exatamente.

Aeliana ergueu o rosto, sustentando o olhar dele sem vacilar. Seus olhos não revelavam nenhuma emoção, calmos e imóveis.

Sem dizer mais nada, desviou a atenção para a senhora desacordada na cama e então voltou a olhar para Raimundo, com a sobrancelha mexendo de forma imperceptível.

— O Sr. Barreiros me chamou aqui para tratar de uma paciente.

— E onde está a paciente?

Raimundo apontou com o queixo na direção do leito.

— Na cama.

Foi só então que Aeliana virou o rosto e se aproximou. Ela não se apressou em sentir o pulso da paciente; primeiro, avaliou a coloração do rosto e examinou as pálpebras com movimentos suaves, mas muito metódicos.

O olhar de Raimundo a acompanhava o tempo todo.

— Ela está desacordada há três dias? — perguntou Aeliana, com os dedos repousando sobre o pulso fino e frágil da senhora para checar sua condição.

— Sim — confirmou Raimundo. — Os outros que chamei antes disseram que era derrame, outros falaram em baixa imunidade e fraqueza severa. Deram remédios para ela, mas nada adiantou.

Aeliana não respondeu. Fechou os olhos, concentrando-se na leitura do pulso. O único som no quarto era o suave crepitar do incenso queimando.

Após um tempo, ela soltou o braço da paciente e se virou, com o rosto impassível:

— Não é derrame, nem uma fraqueza comum. Há uma grave obstrução na circulação, somada a um acúmulo de secreções que está afetando a consciência dela.

— Como dona Cláudia já tem certa idade, seu corpo está fragilizado e não está suportando o impacto.

Enquanto falava, Aeliana abriu a maleta de vime e tirou um estojo rústico de couro. Com agilidade, desenrolou-o, revelando uma fileira de finos instrumentos metálicos de tamanhos variados, que brilhavam com um reflexo frio.

Puxou um instrumento longo e fino, testou levemente a ponta com o dedo e fez menção de caminhar em direção à cama.

— E também... será uma ótima oportunidade para eu ver do que a Dra. Porto é capaz com essas agulhas.

Raimundo indicou com o queixo um biombo no outro lado do quarto.

Percebendo a direção do olhar, Aeliana observou a pesada estrutura de madeira esculpida.

O que havia atrás do biombo?

Ela já o tinha notado quando entrou, mas sua atenção estava inteiramente focada em Cláudia.

Agora que Raimundo apontava diretamente para lá, era evidente que havia algo mais.

Será que... ele queria testar as habilidades dela primeiro? Usando outra pessoa ou outra condição?

Esse pensamento cruzou sua mente em um instante, e o coração de Aeliana ficou um pouco mais pesado. Contudo, não sentiu grande surpresa.

Afinal, para alguém na posição de Raimundo, confiar a própria mãe em coma a uma curandeira misteriosa da Umbral Order exigia extrema cautela, quase ao nível da paranoia.

O que ela não esperava era que ele fosse tão direto, interrompendo-a no exato momento em que ela faria a intervenção em Cláudia.

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