Mas o queixo levemente erguido e os passos um tanto calculados ainda revelavam a sua presunção de ter "recuperado o orgulho".
Após a partida deles, a área dos camarotes não recuperou a tranquilidade de imediato.
Algumas pessoas lançavam olhares furtivos na direção do Sr. Correia, como se estivessem se divertindo com a sua desgraça.
No camarote na diagonal oposta, o Sr. Correia estava sentado no sofá com o semblante sombrio. As pedras de gelo em seu copo já haviam derretido, deixando a bebida aguada.
Percebendo os olhares disfarçados que os outros lhe dirigiam, ele olhava furioso através do vidro espelhado, fixando-se nas costas do casal "Narciso" sendo escoltado com deferência. Ao ver o intermediário aparecer segurando pessoalmente aquele par de braceletes de jadeíta de valor inestimável, sentiu um aperto sufocante no peito de tanta raiva.
— Maldição... Esse novo rico tem algo de muito estranho... — O Sr. Correia praguejou em voz baixa, bebendo de um só gole o resto da bebida no copo, sentindo-se ainda mais irritado. — A sorte dele é bizarra. Foi assim no cassino da última vez, e de novo agora.
Aquela noite estava sendo um desastre! Havia apostado no "Homem-Leopardo" e perdido, depois apostou na "Besta Encurralada" e cometeu um erro de julgamento, perdendo uma fortuna à toa.
Se fosse apenas isso, tudo bem. Ele aceitava que no mundo das apostas havia vitórias e derrotas.
Mas tinha que se meter em uma confusão desnecessária!
Sua intenção inicial era se divertir às custas daquele casal de novos ricos que pareciam alvos fáceis, para baixar a bola deles. No entanto, aquele sujeito de sobrenome Porto, que parecia um covarde, tinha um temperamento forte. Ele levou a questão diretamente ao Sr. Lopes, obrigando-o a ceder e pedir desculpas em público, perdendo completamente a moral!
O mais irritante era que aquele casal de novos ricos havia ganhado!
Ao deixarem o camarote e caminharem pelo corredor silencioso, Jocelino continuou amparando a "debilitada" Aeliana com todo o cuidado.
Apenas quando entraram no carro exclusivo para a viagem de volta, com as portas fechadas e as janelas erguidas, bloqueando qualquer olhar externo, os dois relaxaram imperceptivelmente os nervos tensos.
— Aquele Jamal Correia. — Aeliana endireitou a postura. Embora ainda houvesse marcas de lágrimas em seu rosto, o seu olhar tornou-se límpido e calculista, sem o menor traço de fragilidade. — Ele é o típico covarde que oprime os fracos e teme os fortes, além de ser extremamente vingativo. No evento do fim de semana, ele com certeza buscará uma oportunidade para dar o troco.
— O meu único medo é que ele não apareça. — Jocelino respondeu com uma voz gélida, carregada de sarcasmo. — Será perfeito. Acertaremos todas as contas de uma vez só.
Os letreiros luminosos do lado de fora da janela passavam rapidamente, refletindo nos perfis serenos dos dois.

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