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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1233

Jocelino abriu a caixa conforme ela pediu.

Sobre o forro de veludo azul-escuro, repousava um anel de platina.

O design era extremamente minimalista, com linhas fluidas e suaves, refletindo um brilho discreto, porém sólido, sob a iluminação amena da sala reservada.

Sem qualquer ornamento complexo, a peça transmitia uma força silenciosa.

Ele retirou o anel com cuidado, esfregando a ponta do dedo na superfície lisa do aro. Então, ele notou a parte interna.

Ali, esculpido com um trabalho manual incrivelmente detalhado, havia um padrão quase invisível. Olhando de perto, era a trajetória dos corpos celestes.

E em um ângulo muito específico, no ponto de interseção daquela trajetória, estavam gravadas duas letras minúsculas e entrelaçadas: "A&J".

A respiração de Jocelino parou por uma fração de segundo, de forma quase imperceptível.

Ele segurou o pequeno anel e levantou o olhar para Aeliana. Seus olhos, normalmente tão calmos e insondáveis, agora transbordavam uma tempestade de emoções complexas.

— ...Quando você preparou isso?

— Na verdade... eu já pensava nisso há muito tempo. — O rosto de Aeliana ficou ainda mais quente sob o olhar intenso dele. Ela abaixou os cílios e falou suavemente: — Da última vez, quando me pediu em casamento, você me deu um anel. É justo que eu também te dê um. Eu queria ter te entregado esse presente muito antes, mas com tantas coisas acontecendo, acabei não encontrando o momento certo, nem decidindo o que exatamente eu deveria te dar. — Ela fez uma pausa e o encarou, com um olhar claro e sincero. — Foi só recentemente que achei que... este seria o mais adequado. Não é nada muito valioso, mas...

— É muito valioso. — Jocelino a interrompeu, com um tom de voz firme. — Contanto que seja algo dado por você, terá a maior importância do mundo para mim.

Ele fixou o olhar nas ranhuras quase invisíveis no interior do anel. Um pensamento lhe ocorreu e ele ergueu a cabeça, com os olhos brilhando intensamente.

— Você não gravou isso com as próprias mãos, gravou?

Aeliana não esperava que ele adivinhasse tão rápido. Com as bochechas ruborizadas, ela assentiu, um tanto envergonhada.

O tamanho era exato.

O aro de platina simples, ajustado ao dedo longo e elegante, parecia estranhamente harmonioso, como se devesse ter estado ali desde o princípio.

Jocelino baixou o olhar para admirar o anel novo em seu dedo anelar e, em seguida, voltou a olhar para Aeliana. O gelo que sempre adornava sua expressão austera derreteu, abrindo espaço para um sorriso radiante.

Ele até mesmo levantou a mão, observando-a contra a luz. Havia naquela postura um tom de exibicionismo infantil que era uma raridade vindo dele.

— Ficou bom? — Ele perguntou, embora seu olhar permanecesse fixo no rosto de Aeliana.

— Ficou, está lindo. — Vendo os reflexos brilhantes nos olhos dele e sentindo o próprio rosto corado, Aeliana não conseguiu evitar um sorriso e assentiu com veemência.

Os olhares se cruzaram e a sala mergulhou em um silêncio momentâneo. O único som era o farfalhar suave do vento nas folhas de bambu do lado de fora e o som de suas respirações, que se misturavam e ficavam cada vez mais evidentes.

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