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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1225

Na manhã seguinte, um frio cortante envolveu a cidade e uma leve geada cobriu as ruas.

Uma van seminova estava estacionada em frente ao prédio, com uma fina camada branca de gelo sobre o capô.

Rodrigo acomodou Gustavo no banco traseiro e apertou o seu cinto de segurança.

Daniela entrou no veículo, murmurando baixinho:

— O clima nas montanhas é tão úmido... O que vai ser dos meus vestidos de seda caríssimos?

Rodrigo fechou a porta com firmeza e deu a volta para assumir o assento do motorista.

Ele olhou para a antiga casa pela última vez e, em seguida, deu a partida no motor.

Quando o carro saía do condomínio, o porteiro colocou a cabeça para fora da guarita, parecendo querer dizer algo, mas acabou apenas acenando em despedida.

Rodrigo retribuiu com um aceno de cabeça.

O trânsito da hora do rush matinal rastejava lentamente.

No sinal vermelho, Rodrigo parou no cruzamento, os seus olhos varrendo as calçadas de forma inconsciente.

Foi então que ele viu Aeliana.

Logo na esquina, através das enormes janelas de vidro de uma cafeteria, ela estava sentada sozinha em uma mesa, com uma xícara de café e um notebook à sua frente.

Aeliana estava com a cabeça levemente inclinada, observando a tela. A luz da manhã destacava o perfil calmo do seu rosto.

Como se sentisse estar sendo observada, ela de repente ergueu o olhar. Os seus olhos cortaram a distância entre o vidro e os carros, pousando precisamente no rosto dele.

Eles estavam separados por uma rua larga, duas vidraças espessas e quase dez metros de distância.

As mãos de Rodrigo apertaram o volante com força.

Não havia expressão alguma no rosto de Aeliana.

Não havia ódio, não havia ressentimento, não havia sensação de alívio e nem mesmo um mínimo sinal de agitação.

Ela simplesmente o observava com serenidade, do mesmo jeito que olharia para qualquer carro aleatório aguardando a luz verde.

Então, com um movimento quase imperceptível, ela deu um leve aceno de cabeça na direção dele.

Ela o havia reconhecido.

E então.

O sinal ficou verde.

O motorista de trás buzinou com impaciência.

Rodrigo desviou o olhar e pressionou o acelerador.

Aeliana levantou a sua xícara de café, deu mais um gole e voltou a focar os olhos na tela do notebook.

O som de notificação de um novo e-mail soou. Era a proposta de parceria para um novo projeto. Ela abriu o documento em anexo e mergulhou na leitura, totalmente concentrada.

Do lado de fora da janela, os carros iam e vinham sem parar. Era apenas mais uma manhã comum.

A porta da cafeteria se abriu, fazendo o sino tilintar suavemente. Novos clientes entraram, trazendo o vento gelado do exterior e discutindo o mercado de ações e o jogo de futebol da noite passada.

Uma garçonete se aproximou e perguntou com delicadeza:

— Sra. Oliveira, aceita mais café?

— Não precisa, obrigada. — Aeliana exibiu um sorriso educado e fechou o notebook. — Pode trazer a conta.

Ela se levantou, vestiu o casaco pesado e empurrou a porta de vidro, caminhando sob a luz fria e límpida do início de inverno.

Atrás dela, o sino da cafeteria tocou levemente mais uma vez.

Do outro lado da rua, o shopping center de luxo que um dia pertenceu ao Grupo Oliveira estava passando por uma grande reforma. Os tapumes de obras exibiam um logotipo de marca novinho em folha. Operários entravam e saíam carregando materiais de construção, e o ruído abafado de furadeiras ecoava pela calçada.

A vida continuava a fluir adiante.

Sem ninguém para olhar para trás.

O fato de Gustavo e Daniela terem deixado a cidade foi contado por Aeliana a Jocelino naquela mesma noite, durante o jantar.

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