— Não dá. — Respondeu ele, categórico. — Um homem deve ter palavra. Eu prometi a ela que tiraria vocês da cidade, e vou cumprir a minha promessa.
Rodrigo conhecia perfeitamente o caráter dos seus pais.
Eles só não ousavam fazer escândalos como antes porque estavam assustados com as tragédias consecutivas envolvendo Henrique e Felipe. Temiam irritá-lo ao extremo e acabar completamente desamparados.
Mas pau que nasce torto, morre torto.
Daniela e Gustavo podiam estar falando manso agora, jurando que deixariam Aeliana em paz, mas Rodrigo sabia muito bem que, assim que a poeira baixasse, eles voltariam aos velhos truques. Levá-los embora para longe era, de fato, a única solução definitiva.
— Se preferir, você e o pai podem continuar morando aqui. Eu deixo a casa para vocês, e eu vou embora sozinho.
Ao ouvir isso, o desespero tomou conta de Daniela.
— Não! Não foi isso que eu quis dizer! Quando foi que eu falei que não ia com você? Só achei que não tinha problema se a casa não fosse vendida. Pelo menos teríamos as nossas raízes aqui.
Rodrigo deu um riso de escárnio.
— Mãe, a senhora ainda acha que nós somos a prestigiosa família Oliveira de antigamente? — Ele suspirou. — As minhas economias já estão praticamente no fim. Se não vendermos a casa, as despesas médicas do meu pai e o salário do cuidador vão somar um valor absurdo. Me diga, se ficarmos com o apartamento, de onde eu vou tirar todo esse dinheiro?
Do outro lado da linha, restou apenas um choro contido.
Rodrigo permaneceu inflexível.
— Já que a senhora não tem mais nada a dizer, vou considerar que concordou. Tenho coisas a resolver agora. Tchau.
A ligação foi encerrada.
Rodrigo continuou a cuidar da burocracia. Quando terminou de assinar tudo, o fim de tarde já se aproximava. Ele saiu do prédio com algumas poucas folhas de papel na mão, sob um céu que começava a escurecer. Os postes de luz se acendiam um a um.
Ele ligou o carro e dirigiu de volta para o lugar que em breve deixaria de ser o "lar" deles. Os feixes de luz dos postes cruzavam as janelas do carro, como lembranças de um tempo voltando para trás.
Na noite anterior à partida, Rodrigo se viu parado no meio da sala de estar completamente vazia.
O brilho da lua invadia o ambiente pelas janelas sem cortinas, cobrindo o piso com uma camada de luz gélida.
Ele discou o número de Aeliana.
— Embora eu odiasse vocês no passado, o Gustavo agora está em uma cadeira de rodas e o Henrique teve o que merecia. Já foi o bastante, não há necessidade de eu ser tão implacável. Além disso, você concordou em levá-los embora da cidade, o que me poupa muitas dores de cabeça.
Além do mais, aquele antigo sítio não tinha utilidade alguma para Aeliana. Se ficasse lá, seria apenas um terreno abandonado. Era melhor deixar uma saída para Rodrigo e garantir que eles ficassem o mais longe possível dela.
Rodrigo engoliu em seco, sentindo a garganta apertada.
Ele queria pedir desculpas. Queria dizer inúmeras coisas, mas as únicas palavras que conseguiu forçar para fora foram:
— Fique bem.
— Boa viagem.
A chamada terminou.
O tom de desconexão soou em seu ouvido.
Rodrigo abaixou o celular e ficou de pé naquela sala vazia por um bom tempo, até a luz da lua subir pelas paredes e, aos poucos, desaparecer por completo.

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