Era só cruzar aquele corredor. Só embarcar...
Contudo.
No instante em que seu pé estava prestes a cruzar a área de segurança, vários agentes federais uniformizados saltaram de um ângulo cego, cercando-a rapidamente e bloqueando sua passagem.
— Jordana Rabelo?
O delegado à frente abriu o distintivo. Sua voz soou como um trovão de autoridade:
— Somos da Polícia Federal, Divisão de Combate ao Crime Organizado. A senhora é suspeita de chefiar uma organização criminosa com múltiplos crimes graves, incluindo, mas não se limitando a: lenocínio, tráfico de influência, extorsão, cárcere privado e corrupção ativa. Por favor, acompanhe-nos para prestar esclarecimentos.
— O quê?
Como se tivesse sido atingida por um raio, Jordana cambaleou para trás, abaixando a cabeça instintivamente.
— Vocês... Vocês cometeram um erro!
— Eu não sou a Jordana.
— Eu exijo falar com os meus advogados! Eu quero...
— Seus advogados poderão encontrá-la na delegacia.
Implacável, o delegado fez um gesto para que as policiais femininas avançassem:
— Jordana, por favor, coopere com a investigação.
— Não! Vocês não podem me prender!
— Eu sou inocente!
— Com que autoridade acham que podem me deter? Sabem com quem estão falando?
Jordana estapeou as mãos das agentes que tentavam segurá-la. A salvação estava a poucos metros de distância, não aceitaria ser arrastada de volta para o inferno.
— Tirem as mãos de mim! Eu vou embarcar!
— Tenho negócios internacionais urgentes. Se me atrasarem, não terão como pagar a indenização!
A equipe, mais do que acostumada aos chiliques da elite decadente, conduziu Jordana para fora com frieza e metodologia impecáveis.
Sendo empurrada à força, ela tropeçava nos próprios pés a caminho do camburão parado no meio-fio.
Olhou por cima do ombro, vislumbrando tragicamente a entrada VIP. O contorno de seu jato — seu bilhete para a liberdade e a vingança — estava logo ali. Um rosnado bestial escapou de sua garganta.
Faltava tão pouco! Apenas mais um passo!
Mas, por mais que agonizasse de raiva, seu destino estava traçado. O anjo intocável fora definitivamente abatido do céu e arrastado para o esgoto.
As luzes vermelhas e azuis das sirenes banhavam o rosto contorcido de Jordana. A toda-poderosa Jordana, que antes controlava a cidade com um estalar de dedos, foi enfiada no banco de trás de uma viatura sob os olhares chocados, curiosos e enojados de dezenas de passageiros.
A porta de metal bateu, engolindo-a na escuridão e cortando-a do resto do mundo.
O zumbido do aeroporto voltou ao normal rapidamente após a saída das viaturas, como se o barraco de instantes atrás nunca tivesse acontecido.
Apenas os diamantes soltos, esquecidos no chão e refratando luzes geladas, ficaram para trás, zombando em silêncio da queda daquele império de mentiras.

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