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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1209

Enquanto Adelina, cercada pelos restos de seu telefone na mansão em ruínas, disparava as pragas mais vis, desejando que Jordana sofresse uma morte terrível por tê-las apunhalado pelas costas...

Do outro lado da cidade, Jordana estava longe de ter a tranquilidade e a elegância que Adelina imaginava.

Jordana andava de um lado para o outro no quarto, feito uma barata tonta. As olheiras profundas em seu rosto entregavam as noites seguidas de insônia absoluta.

Desde o colapso do disfarce de Adelina, o escândalo tomara proporções gigantescas.

O massacre da opinião pública na internet, a queda e o exílio de suas "irmãs" uma a uma, o ataque cirúrgico dos e-mails vazados por Henrique Oliveira, e o empurrão descarado da família Barreto... Cada nova informação era uma martelada nos nervos exaustos de Jordana.

Estava tudo acabado. Tudo.

Jordana tinha plena consciência de que não havia mais lugar para ela naquela cidade, nem mesmo naquele país.

Aqueles que antes se curvavam aos seus pés, os que eram chantageados e os que dependiam dos seus favores... Todos agora representavam uma sentença de morte.

A interferência de Jocelino implodira qualquer chance de negociação que ainda restava.

Ela precisava fugir. Imediatamente!

— As malas já estão prontas? — Gritou Jordana, áspera, em direção ao corredor.

— Senhora, t-tudo foi preparado conforme suas ordens.

O mordomo empurrou duas enormes malas para dentro, com a testa banhada de suor.

— Senhora, o dinheiro em espécie, os títulos ao portador, as barras de ouro, os passaportes, as identidades falsas e alguns medicamentos de emergência estão todos aqui. O jato particular já está na pista aguardando autorização. Podemos decolar a qualquer momento. O destino é...

— Chega! Eu já sei!

Jordana o interrompeu com grosseria. Não tinha paciência para ouvir detalhes triviais.

Ela passou os olhos por aquele quarto suntuoso. Antes um símbolo de seu império de luxo, agora parecia apenas o mausoléu pomposo de um navio prestes a afundar.

Agarrou uma caixa de veludo lotada de diamantes em cima da penteadeira, enfiando-a de qualquer jeito em sua bolsa de mão, e cerrou os dedos com força ao redor de um pen drive que estava na mesa.

— Vamos! Pela porta dos fundos. Ninguém pode nos ver!

Um sedã preto e discreto deslizou furtivamente para fora da propriedade da família Rabelo, misturando-se ao escasso tráfego noturno em alta velocidade rumo ao aeroporto.

Afundada no banco traseiro, com o coração espancando o peito, Jordana exigia o tempo todo que o motorista pisasse mais fundo. O borrão das luzes da cidade passando pela janela fazia cada segundo de viagem parecer uma tortura cruel.

Finalmente, a iluminação forte do aeroporto surgiu no horizonte.

O peito de Jordana esvaziou em um suspiro de alívio.

Seu jato estava esperando na pista executiva. Bastava passar pela checagem de segurança, subir as escadas da aeronave e a liberdade seria sua!

Essa esperança inebriante anestesiou temporariamente o seu medo.

O veículo parou na entrada do embarque VIP.

Forçando naturalidade, ela despachou o mordomo para cuidar dos trâmites finais. Com uma respiração funda, ajeitou os óculos, puxou sua mala de grife e caminhou com a máxima altivez que conseguiu reunir em direção aos detectores de metal.

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