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Despertar Depois dos 1460 dias romance Capítulo 1183

No final do corredor, o primeiro raio de sol da manhã finalmente rompeu as nuvens e entrou, brilhante, porém gelado.

Felipe, como uma sombra liberta da prisão, atravessou agilmente o caminho silencioso nos fundos do hospital.

O ar frio da manhã entrava em seus pulmões com o gosto da liberdade.

Ele sentia o coração bater descompassado, não de medo, mas de pura excitação.

Porque agora, bastava atravessar aquela via auxiliar relativamente deserta à frente, virar a esquina, e ele poderia se misturar à multidão do horário de pico e desaparecer completamente.

Felipe quase podia imaginar-se recuperando tudo o que era seu após a fuga. Seus passos aceleraram involuntariamente, ganhando até uma certa leveza.

No entanto, no instante em que ele pisou naquela via auxiliar.

Um rugido arrogante de motor aproximou-se velozmente, numa velocidade assustadora!

Um carro esportivo amarelo brilhante, como um cavalo selvagem desembestado, ignorou completamente o limite de velocidade daquela rua estreita e surgiu de repente na curva!

Ao volante, um jovem herdeiro rico vestindo uma camisa estampada extravagante segurava o volante com uma mão, enquanto a outra, inquietamente, tateava a acompanhante no banco do passageiro.

— Ai! Dirija direito, vai!

A acompanhante, com maquiagem impecável e uma minissaia sexy, reclamou manhosa, dando tapinhas de falsa resistência na mão dele que passeava por suas pernas, enquanto o corpo dela se inclinava para ele como se não tivesse ossos.

— Medo de quê? Essa rua caindo aos pedaços não tem ninguém uma hora dessas...

O playboy riu com descaso. Em vez de se conter, abusou ainda mais, quase jogando o corpo inteiro para cima dela para roubar um beijo:

— Bebê, gostou daquela bolsa de ontem à noite? Deixa eu te dar um beijo...

— Chato! Depende do seu desempenho...

A mulher riu alto, num jogo de sedução, empurrando o peito dele com a mão. O flerte e o contato físico fizeram com que ambos ignorassem completamente a estrada à frente.

A dor alucinante afogou todos os seus pensamentos num instante.

Após o estrondo, o mundo caiu num silêncio mortal por um instante.

O carro esportivo parou torto no meio da rua, com o capô retorcido.

Dentro do carro, os airbags dispararam com um som abafado, liberando uma poeira irritante. O playboy estava atordoado pela pancada, e a mulher no banco do passageiro estava lívida de pavor.

Ela foi a primeira a reagir, virando a cabeça bruscamente. Pelo vidro traseiro, viu aquela figura humana imóvel no chão a alguns metros dali, com um líquido escuro começando a se espalhar por baixo do corpo.

— Morreu... será que ele morreu?

A voz da mulher saiu distorcida e aguda. Ela agarrou o braço do playboy com força, as unhas quase cravando na carne dele.

— O que a gente faz? Evaldo! O que a gente faz agora?

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