Ao ouvir o pedido, sua mente clareou no mesmo instante.
Ela recuou um passo quase instintivamente, encostando as costas na parede fria.
— Deixar você sair é uma violação grave das regras do hospital! Se descobrirem, serei demitida!
Vendo a reação dela, Felipe imediatamente mudou para uma expressão "compreensiva" e "desesperada". Soltou a mão dela e recostou-se desanimado na cabeceira da cama, murmurando:
— Desculpe... eu estou colocando você em uma posição difícil, a culpa é minha... mas o Henrique... ele não pode esperar...
Ele levantou os olhos marejados, olhando para Denise com um olhar extremamente "sincero".
— Na verdade... se você quiser me ajudar, não precisa ser descoberta. Você só precisa... depois de fazer a ronda, fingir que esqueceu de trancar a porta e deixar o ferrolho um pouco aberto... então você vai embora e finge que não sabe de nada.
Ele continuou, persuasivo:
— A troca de turno é tão caótica, quem vai notar se uma porta está bem trancada ou não?
Felipe fez uma pausa repentina e olhou fixamente para Denise.
— Denise, você é uma boa moça, não deveria ficar presa neste hospital pequeno para o resto da vida.
— Se me ajudar desta vez, estará salvando meu irmão e a mim também. Eu juro por Deus que, assim que eu sair, com minhas habilidades médicas e meu currículo, mesmo que não possa ficar no país, farei sucesso no exterior!
Ele lançou a isca final:
— Quando chegar a hora, com certeza levarei você comigo! Vamos deixar este lugar, vamos pros EUA, para a Europa. Eu lhe darei uma vida melhor! Acredite em mim!
— Para... para o exterior?
O coração de Denise disparou. A tentação era grande demais para uma enfermeira comum como ela. Ela olhou para o rosto de Felipe, que mesmo na desgraça não perdia seu charme, e para aquele olhar "sincero", sentindo-se violentamente abalada.
— Dr. Oliveira... você... o que você disse é verdade? Você realmente me levaria?
— É verdade.
Ao sair do hospital, Denise, carregando um turbilhão de pensamentos, voltou para casa com a alma ausente. Nem sequer trocou os sapatos direito e quase tropeçou no porta-guarda-chuvas da entrada, fazendo barulho.
— Chegou? Por que tão tarde hoje?
A mãe de Denise, de avental, colocou a cabeça para fora da cozinha. Assim que viu o rosto pálido e o olhar fixo da filha, franziu a testa imediatamente.
— O que houve com você, menina? Parece que perdeu a alma. Aconteceu algo no trabalho?
O coração de Denise deu um salto, como se seu segredo tivesse sido descoberto. Ela baixou a cabeça rapidamente e respondeu de forma vaga:
— Não... não é nada, é que hoje tivemos muitos pacientes, estou um pouco cansada.
Ela trocou os sapatos apressadamente, querendo se esconder em seu quarto.
— Se está cansada, tome um banho quente, a comida já vai sair. — A mãe de Denise enxugou as mãos e a seguiu, mas mudou o rumo da conversa habitualmente, voltando àquele tema eterno.

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