Denise olhou para aquele rosto tão próximo, vendo pela primeira vez com tanta clareza os vasos sanguíneos em seus olhos e a linha tensa de seus lábios.
Havia uma alegria secreta e uma vaidade indescritíveis em seu coração.
O homem que se declarava à sua frente fora, outrora, o jovem médico gênio mais promissor do hospital, uma existência que ela admirava de longe. E agora, ele estava ali, dizendo que gostava dela.
Essa percepção fez seu coração perder completamente o ritmo, e suas bochechas queimaram incontrolavelmente. Ela desviou o olhar, nervosa, com a voz tão baixa que quase foi abafada pela chuva:
— Dr. Oliveira... por favor, não brinque com isso.
— Pareço estar brincando?
Felipe sorriu com amargura, a voz carregada de autodepreciação.
— Eu sei. Agora, como alguém diagnosticado com transtorno mental, até para me declarar preciso primeiro provar minha sanidade... Denise, você sabe como passei esses últimos seis meses?
— Trancado aqui todos os dias, vendo colegas que antes lutavam ao meu lado me olharem com piedade ou desconfiança... Eu sequer posso provar que sou normal.
Ele respirou fundo e focou o olhar novamente no rosto dela.
— Mas pelo menos na sua frente, não quero mais fingir. Você é diferente dos outros. Você vem me trazer remédios pontualmente todos os dias, me conforta e até me cobriu com um cobertor extra escondida enquanto eu dormia.
Ele concluiu:
— Eu guardo tudo isso no coração.
Denise ficou atônita. Não imaginava que gestos tão insignificantes tivessem sido lembrados tão claramente por ele.
— Na verdade, você também consegue ver, não é? Que eu não estou doente de verdade, certo?
O coração de Denise deu um salto. Ela pensou nas discussões recentes no posto de enfermagem. Como enfermeira, não deveria questionar o diagnóstico do hospital, mas nos últimos tempos, o comportamento de Felipe realmente não parecia de alguém doente.
Ela respirou fundo, como se tomasse uma decisão:
— Dr. Oliveira, eu acredito que você está lúcido.
Essa frase fez o olhar de Felipe se iluminar instantaneamente. Como quem agarra uma tábua de salvação, ele deu um passo ansioso à frente:
— Você realmente acredita em mim?
— Agora eles não querem poupar nem o meu irmão.
— Seu irmão? — Denise captou agudamente o ponto chave na fala dele.
Ao mencionar Henrique, a expressão de Felipe escureceu instantaneamente, como se a última gota de força tivesse sido drenada dele.
— Ele está com HIV e precisa do melhor tratamento. Mas agora eu mal consigo me proteger, não consigo nem vê-lo uma única vez...
A palavra "HIV" foi como uma marretada, fazendo Denise despertar instantaneamente do turbilhão emocional em que estava.
— Por isso, Denise, agora eu só posso implorar a você.
Felipe estendeu a mão e segurou a de Denise. O rosto dela ficou vermelho instantaneamente, e ela baixou a cabeça, envergonhada.
— Denise, você poderia me ajudar a sair daqui? Nem que seja por algumas horas, só para eu ir vê-lo...
— Não!
Denise, que acabara de se perder no contato físico com Felipe, reagiu bruscamente.

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