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Da Cama Para o Altar: Um contrato com o meu Chefe romance Capítulo 73

“Algumas atenções parecem inofensivas… até atingirem a pessoa errada.”

O dia seguinte começou cedo demais para alguém que mal tinha dormido. Mas Dayse não se deu ao luxo de parecer cansada.

No instante em que atravessou as portas de vidro do departamento jurídico, com o salto marcando o ritmo firme no piso e o cabelo preso em um coque elegante que deixava à mostra a linha do pescoço ainda levemente marcada, marcas que ela fez questão de esconder sob uma camada estratégica de maquiagem, tudo nela transmitia controle.

Mesmo quando não havia nenhum.

— Amiga… — a voz de Clara veio quase num sussurro carregado de expectativa, surgindo ao lado dela antes mesmo que Dayse alcançasse sua mesa — você não vai simplesmente sentar e fingir que nada aconteceu ontem à noite.

Dayse não respondeu de imediato.

Apenas colocou a bolsa sobre a mesa com precisão, puxou a cadeira e se sentou, já abrindo o notebook enquanto os dedos deslizavam com rapidez pelo teclado, acessando documentos, e-mails e contratos como se cada segundo de silêncio fosse uma escolha consciente.

— Bom dia pra você também, Clara — respondeu por fim, com uma calma quase suspeita, sem sequer olhar para a amiga.

Clara cruzou os braços e encarando com uma expressão carregada de indignação e curiosidade.

— Não muda de assunto — insistiu Clara, inclinando o corpo um pouco mais para frente sobre a mesa, enquanto os olhos atentos percorriam cada detalhe do rosto de Dayse como se estivesse tentando montar, peça por peça, a sequência exata do que tinha acontecido na noite anterior — Quero saber como foi no evento.

Dayse manteve os olhos na tela por mais um segundo do que o necessário, com os dedos ainda apoiados no teclado sem realmente se moverem, como se aquele pequeno atraso fosse suficiente para organizar os próprios pensamentos antes de responder, ou talvez apenas para ganhar tempo.

— Normal… — respondeu sem erguer o olhar.

— Normal, sério isso?

— Foi um evento como outro qualquer.

— Verdade, a única diferença é que era cheio de empresários, políticos, gente que decide o rumo do mundo enquanto bebe champanhe caro.

Dayse ignorou o comentário da amiga e começou a digitar alguma coisa. Mas, um sorriso lento, começou a surgir nos lábios de Clara, como se ela tivesse acabado de encontrar uma forma muito mais eficiente e mais interessante de conseguir respostas.

— Na verdade… — murmurou, puxando o celular com rapidez e desbloqueando a tela com um movimento ágil dos dedos — acho que você não precisa me contar absolutamente nada.

Dayse franziu levemente a testa encarando a amiga confusa.

— Porque?

— Olha isso — interrompeu, já girando o celular na direção dela, aproximando o aparelho até invadir o espaço pessoal da amiga com uma empolgação impossível de esconder.

Na tela, uma sequência de fotos perfeitamente captadas.

Dayse ao lado de Edward chegando ao evento, descendo do carro, a mão dele firme na cintura dela, num gesto que, fora daquele contexto, poderia ser interpretado como intimidade real. E o anel brilhando e chamando a atenção. Gritando algo que deveria ser silêncio.

O coração de Dayse reagiu antes mesmo da razão, acelerando de forma traiçoeira no instante em que reconheceu cada imagem, cada ângulo, cada segundo que, até poucas horas, ainda parecia privado o suficiente para não ganhar aquele tipo de proporção.

E então ela leu.

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