“O amor se torna humilhante no instante em que apenas uma pessoa continua lutando por ele.”
— Eu descobri tudo.
Edward não demonstrou absolutamente nenhuma reação.
Permaneceu parado do outro lado da enorme mesa de reuniões enquanto fechava calmamente a pasta diante de si daquele jeito perigosamente controlado que sempre fazia Liliana sentir que estava constantemente tentando atravessar uma muralha impossível.
E talvez fosse exatamente isso que mais a destruía nele.
A incapacidade brutal que Edward Fitzgerald tinha de demonstrar qualquer coisa que não quisesse mostrar.
— Não faço ideia do que você está falando.
A voz masculina saiu calma, fria e controlada.
Liliana soltou uma pequena risada sem humor enquanto cruzava lentamente os braços tentando desesperadamente sustentar a própria dignidade.
— Claro que faz.
Edward ergueu os olhos lentamente para ela.
— Dayse não errou aquele contrato.
O maxilar masculino tencionou discretamente, mas o suficiente para confirmar tudo.
Liliana sentiu o peito apertar violentamente enquanto continuava:
— Os documentos foram adulterados antes da assinatura final, Edward. E o pior não é descobrir isso agora… o pior é perceber que você já sabia.
Os olhos azuis permaneceram presos nela em silêncio por alguns segundos antes dele finalmente responder:
— Descobri depois.
A resposta atingiu Liliana como uma lâmina.
Porque aquilo significava apenas uma coisa.
Edward sabia que Dayse era inocente e mesmo assim manteve toda aquela situação acontecendo.
Ela sentiu o estômago se contrair violentamente.
— Meu Deus…
A voz saiu quase incrédula.
— Você planejou tudo.
Edward não respondeu e o seu silêncio, apenas confirmou ainda mais.
Liliana começou a rir outra vez, mas daquela vez existia alguma coisa perigosamente quebrada no som.
— Você usou aquele “erro jurídico” para manter Dayse perto de você.
Edward ergueu minimamente o rosto.
— Cuidado com a maneira como fala da minha vida pessoal.
Minha vida pessoal.
A frase atravessou Liliana de maneira tão cruel que por alguns segundos ela simplesmente ficou olhando para ele sem conseguir acreditar.
Edward Fitzgerald jamais misturava emoções com trabalho.
Jamais.
Mas estava fazendo exatamente isso por Dayse Whitmore.
— Você está apaixonado por ela?
A constatação saiu baixa e dolorosa.
Edward desviou os olhos lentamente para as enormes paredes de vidro da sala como se já estivesse cansado daquela conversa antes mesmo dela terminar.
E aquilo destruiu o resto do controle emocional de Liliana.
— Meu Deus… eu fui tão idiota.
Edward voltou imediatamente o rosto na direção dela.
— Liliana acho melhor você…
— Não.
Ela interrompeu rápido enquanto aproximava alguns passos da mesa.
Os olhos dela já começavam a arder.
— Não tenta me tratar como se eu estivesse exagerando agora porque eu passei anos do seu lado, Edward. Anos.
O silêncio dele começou lentamente a irritá-la ainda mais.
— Eu estava ali o tempo inteiro. Em todas as reuniões. Em todos os eventos. Em todas as crises dessa empresa. Sempre tentando ser boa o suficiente para você olhar para mim pelo menos uma única vez da maneira como olha para ela.
Edward fechou os olhos discretamente por um segundo.
— Você sabe o que é mais humilhante?
A voz dela falhou minimamente.
— É perceber que eu te amo há anos… enquanto você provavelmente já estava apaixonado pela Dayse sem sequer perceber.
Edward respirou fundo antes de responder no mesmo tom controlado:
— Eu nunca prometi nada para você além do que nós tínhamos.
A frase atravessou Liliana com violência.
Porque era a verdade mais cruel de todas.
Ele nunca prometeu amor. Nunca prometeu relacionamento, nem mesmo futuro.
Mas ainda assim doeu. Do jeito mais humilhante possível.

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