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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 89

Laís

Eu devia deixar aquilo para o dia seguinte.

Devia fechar o celular, fingir que ainda estava de folga e ir dormir. Meu corpo pedia isso. Minha cabeça também. Mas bastou ficar sozinha na sala, com a casa silenciosa demais, para eu saber que não ia conseguir.

O nome do Drive piscava na tela.

Cliquei.

No começo, foi só curiosidade profissional. Uma leitura rápida. Um panorama geral. Mas quanto mais eu avançava nos arquivos, mais meu estômago apertava.

Havia laudos, registros hospitalares, autorizações, mensagens apagadas, horários que não batiam. Tentativas claras de forçar uma narrativa. Não era um erro. Não era coincidência.

Era um plano.

Passei os olhos por uma sequência específica e xinguei baixo.

"Filhos da puta."

Precisava imprimir aquilo.

Levantei devagar e caminhei pela casa até o escritório do juiz. O ambiente era exatamente como eu imaginava. Organizado demais. Livros alinhados. Pastas categorizadas. Tudo no lugar certo.

Conectei o celular à impressora e comecei a selecionar os arquivos mais importantes. As folhas começaram a sair uma atrás da outra. Eu me sentei na cadeira dele sem pensar muito. Só queria ler com atenção. Grifar. Entender cada detalhe.

Estava tão imersa que não ouvi os passos.

"Vejo que você entende termos jurídicos melhor do que eu imaginava."

Dei um pulo da cadeira.

"Meu Deus!" Levei a mão ao peito. "Desculpa, eu… eu não vi você chegar."

Levantei rápido demais e me senti invadindo um território que não era meu.

"Desculpa mesmo por estar aqui", completei. "Eu não ia começar hoje, mas… não consegui. São tantas provas forjadas que... foi impossível ignorar."

Ele pegou uma das folhas da impressora e leu em silêncio por alguns segundos.

"André te colocou no caso?", perguntou.

"Colocou", respondi. "Sou advogada. Ele preferiu ficar mais afastado, já que estão implicando com a proximidade dele com vocês. Ninguém sabe nada sobre mim. Nem sobre a Branca. Ele achou que seria mais seguro me colocar à frente do caso."

Ele assentiu.

"André é esperto", disse. "Se ele confia em você, eu confio também."

Soltei o ar sem perceber que estava prendendo.

"De verdade, desculpa por mexer nas suas coisas."

"Fique à vontade", ele respondeu. "Os livros estão aí para serem usados. Se precisar de alguma coisa, posso ajudar também. Desde que a gente encerre de uma vez esse processo infundado."

Assenti.

"Farei meu melhor para acabar com isso logo. Eu não te conhecia, mas conheço a Branca. A vida dela era aquele menino. Ela nem sabe como teve forças pra doar os órgãos dele."

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89. Novos aliados 2

89. Novos aliados 3

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