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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 88

Laís

Eu não deveria estar pensando na proposta dele.

Mas estava.

André falava como quem não costuma pedir ajuda. Sem rodeios, sem floreios, direto ao ponto. Isso, por si só, já dizia muita coisa. Homens como ele geralmente preferem controlar tudo sozinhos. Dividir informação, poder, responsabilidade… não era o estilo.

Ainda assim, ali estava ele.

“Então…”, ele disse, quebrando o silêncio. “Se você topar, me manda seus documentos. Currículo, OAB, tudo. Vou passar pra minha assistente.”

Inclinei a cabeça, avaliando.

“Rápido assim?”, provoquei.

“Rápido, porque não temos tempo”, respondeu. “Vou te dar acesso ao Drive do caso. Tudo o que temos sobre a Branca, o Cássio, o processo da doação, a denúncia, as movimentações estranhas. Você analisa com calma. Temos que encerrar essa caso antes que ele exploda de uma vez. Cássio já foi afastado e depois disso, o que mais pode ser? Não quero esperar para descobrir.”

Assenti devagar.

“E você não tinha outro advogado em quem confiasse pra isso?”, perguntei.

Ele soltou um riso curto, sem humor.

“Não.”

Simples assim.

“Todos podem ser comprados”, continuou. “Ou pressionados. Ou ameaçados. Especialmente nesse caso.” Fez uma pausa. “Mas você não.”

Senti algo apertar no peito. Não era vaidade. Era responsabilidade.

“O Cássio tem muitos inimigos”, ele explicou. “Gente poderosa. Criminosos que ele colocou atrás das grades. Pessoas que perderam tudo por causa dele. Dinheiro, liberdade, status.” Passou a mão pelo rosto. “Se alguém oferecer dinheiro suficiente, sempre aparece alguém disposto a vender informação. Não posso controlar 100% da pessoas que estão comigo.”

Concordei com a cabeça.

“Vou te mandar meus dados por mensagem”, falei. “Se faltar alguma coisa, me avisa.”

Ele assentiu.

“Mas…”, completei, levantando um dedo. “Me dá só mais um dia de férias. Por favor.”

Ele arqueou a sobrancelha.

“Férias?”, repetiu.

“Sim”, respondi. “Porque só de pensar nesse caso… eu já sei que vou passar noites sem dormir. Que vou virar madrugada lendo documento, cruzando data, desconfiando de tudo.” Dei um meio sorriso. “Então me deixa fingir que ainda estou de folga por vinte e quatro horas.”

Ele sorriu de lado.

“É…”, disse. “É exatamente isso. Eu não durmo direito desde que recebi tudo isso. É pesado demais, ainda mais porque estamos falando da minha irmã e do meu sobrinho.”

O sorriso sumiu rápido.

“Quem montou isso sabia muito bem o que estava fazendo.”

Suspirei fundo.

“É desumano”, falei. “Fazer isso com eles.” Balancei a cabeça. “Os dois feridos. Um perdeu o filho. O outro quase perdeu a filha. E ainda assim querem destruir o que restou. “Como alguém consegue ser tão cruel?”

Ele me olhou em silêncio, sem uma resposta para minha pergunta.

“Pessoas assim deveriam morrer de uma morte lenta e dolorosa”, completei, sem suavizar.

88. Emprego novo 1

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