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Coração Emprestado: A babá da filha do Juiz romance Capítulo 43

Cássio

Retomei o julgamento como se nada tivesse acontecido.

Jonathan Krieger já não estava mais ali.

A cadeira na plateia permanecia vazia, discreta, quase banal, como se aquele homem nunca tivesse ocupado aquele espaço, como se não tivesse acabado de atravessar a minha linha de defesa pessoal. Ignorei o incômodo e segui o rito.

A promotoria concluiu. A defesa tentou mais uma última manobra desesperada.

Inútil.

“Condeno o réu a trinta anos de reclusão, em regime fechado, pelo crime de latrocínio.”

O som do martelo ecoou pela sala.

Sessão encerrada.

Levantei-me devagar, o corpo rígido, a mente acelerada demais para o ambiente formal que ainda me cercava. Assim que saí da sala de audiências, chamei um dos guardas.

“O que foi aquilo lá fora?”

Ele hesitou um segundo.

“Explosão num carro, doutor. Uma bomba pequena, mas suficiente pra chamar atenção. Pelo que apuramos até agora, não tinha ninguém dentro.”

Assenti.

Aquele babaca queria atenção, e conseguiu.

Voltei para a sala privada, tirei a toga com um movimento seco e entreguei a um estagiário que me observava com um misto de admiração e nervosismo.

“Pode guardar. Tenho outro compromisso agora, não me liguem para nada. Amanhã eu resolvo qualquer coisa que aparecer.”

Peguei o celular e disquei o número do André. Ele me atendeu em segundos, como se esperasse o meu telefonema.

“Pode me receber agora?”, perguntei, direto.

Houve uma pausa do outro lado da linha.

“Aconteceu alguma coisa com a minha irmã?”, ele respondeu, baixo.

“Não vamos falar disso por aqui.”

Silêncio.

“Merda”, ele xingou. “Então vem. Agora.”

Desliguei sem cerimônia. Eu tinha certeza que Jonathan já tinha grampeado nossos celulares. Tinham que ter ainda mais cuidado com tudo que falávamos, ou deixas que íamos deixar. Aquele maldito estava nos cercando.

O caminho até a garagem pareceu mais longo do que de costume. Entrei no carro, liguei o motor e acelerei sem pensar duas vezes. A cidade passou borrada pelas janelas enquanto eu repassava cada detalhe do julgamento, cada gesto de Jonathan, cada segundo daquela encenação calculada.

Quando cheguei à casa do André, o portão já se abria.

Entrei direto pela lateral, como sempre fazíamos quando o assunto não era para ouvidos curiosos.

Ele estava de pé na frente da porta, me esperando.

Assim que me viu, estreitou os olhos. Não disse nada. Apenas observou.

"Entra." ele caminhou na minha frente e o segui em silêncio. Ele me levou até seu escritório mais afastado, com isolamento acústico.

43. Estratégia 1

43. Estratégia 2

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